O retorno do Grimace ao cardápio do McDonald’s ajuda a explicar um movimento que vem crescendo dentro da publicidade digital: a tentativa das marcas de transformar personagens antigos em fenômenos culturais capazes de disputar atenção nas redes sociais.
A estratégia ganhou força nos últimos dias após conteúdos envolvendo Bianca Andrade e Fred Bruno movimentarem páginas de entretenimento e levantarem especulações entre seguidores. A confirmação da campanha aconteceu nesta terça-feira (13), junto com o anúncio da volta do Shake do Grimace ao Brasil.
O episódio acontece em um momento em que empresas do setor de alimentação, moda e entretenimento têm apostado cada vez mais em nostalgia, memes e referências afetivas para manter relevância entre consumidores jovens. Em vez de campanhas centradas apenas no produto, cresce o investimento em ações desenhadas para gerar comentários, teorias e circulação orgânica nas plataformas digitais.
Recentemente mascotes antigos passaram a ganhar novo valor justamente por carregarem reconhecimento imediato e potencial de viralização. O Grimace, criado décadas atrás, voltou a aparecer com frequência em vídeos curtos, montagens e conteúdos de humor publicados por usuários nos últimos anos, especialmente no TikTok.

Ao mesmo tempo, esse tipo de estratégia também levanta discussões sobre a dificuldade crescente de separar entretenimento, influência e publicidade nas redes sociais. Campanhas construídas a partir de “pistas”, interações entre influenciadores e movimentações planejadas passaram a ocupar o espaço que antes era dominado por anúncios tradicionais.
Segundo o McDonald’s, o retorno do shake aconteceu após pedidos feitos por consumidores nas redes sociais. A bebida, inspirada no personagem, começou a voltar gradualmente às unidades participantes da rede no Brasil.
O caso reforça uma tendência observada no mercado publicitário em 2026: marcas disputam atenção não apenas com concorrentes diretos, mas com o próprio fluxo acelerado de conteúdo das plataformas digitais. Nesse cenário, campanhas capazes de gerar conversa coletiva tendem a ganhar mais espaço do que ações focadas exclusivamente em divulgação de produto.
