Consumidores que continuaram recebendo cobrança extra em compras internacionais de até US$ 50, cerca de R$ 250, mesmo após a suspensão da chamada “taxa das blusinhas”, já podem solicitar reembolso diretamente pelo aplicativo da Shein. A orientação começou a ser divulgada pela plataforma depois que o Governo Federal revogou temporariamente a cobrança do imposto de importação para encomendas de menor valor.
A mudança entrou em vigor na quarta-feira, 13 de maio de 2026, um dia após a decisão oficial anunciada pelo governo. Segundo a empresa, casos em que a taxa foi aplicada indevidamente após essa data poderão ser analisados individualmente, com pedido feito dentro do próprio app da marca.
A suspensão vale por 120 dias e beneficia compras internacionais de até US$ 50 realizadas em marketplaces estrangeiros como Shopee, AliExpress e a própria Shein. Apesar da retirada do imposto federal de 20%, o ICMS estadual continua sendo cobrado normalmente, com percentual diferente conforme cada estado brasileiro.
Na prática, a expectativa é que parte dos produtos importados fique mais barata durante esse período. Itens de moda, acessórios e eletrônicos de baixo valor estão entre os mais procurados pelos brasileiros nas plataformas internacionais desde a criação do programa Remessa Conforme.
O termo “taxa das blusinhas” ficou popular nas redes sociais justamente porque roupas baratas foram algumas das mais afetadas pela tributação criada anteriormente. O imposto fazia parte das regras do programa federal que estabeleceu cobrança de 20% para compras internacionais de até US$ 50. Para valores acima disso, segue valendo a taxa de 60%.
A revogação, porém, não encerrou a discussão. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará criticou a suspensão da cobrança e afirmou que a medida aumenta a diferença competitiva entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras. Segundo a entidade, o varejo nacional pode enfrentar mais dificuldades para competir com os preços praticados por marketplaces internacionais.
Nos bastidores de Brasília, a taxa também ficou conhecida por ter sido incluída no projeto do Programa Mobilidade Verde, ligado ao setor automotivo. No Congresso, esse tipo de inclusão de tema sem relação direta com o texto principal costuma ser chamado informalmente de “jabuti”.
