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Motoristas podem recuperar até R$ 93 milhões após falhas em pedágio sem cancela

Sistema Free Flow virou alvo de reclamações após milhões de multas e Governo Federal abriu espaço para devoluções aos motoristas

Em: Portal G

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Viajar sem parar em pedágio parecia coisa de filme futurista até virar dor de cabeça para milhões de brasileiros. Em várias rodovias do país, motoristas passaram direto pelos novos pontos de cobrança automática, seguiram viagem normalmente e só perceberam o problema dias — às vezes semanas — depois, quando multas começaram a aparecer.

A situação ganhou uma dimensão tão grande que o Governo Federal decidiu suspender cerca de 3,4 milhões de autuações ligadas ao sistema Free Flow, modelo de pedágio eletrônico sem cancela que prometia acabar com filas nas estradas. A medida também abriu caminho para pedidos de devolução que podem chegar a R$ 93 milhões.

O impasse nasceu justamente da principal característica da tecnologia: a ausência de parada obrigatória. Sem cabine, atendente ou cancela abaixando, muitos condutores acreditaram que a cobrança seria automática para todos os veículos. Mas quem não possui tag eletrônica precisava entrar depois nos canais digitais das concessionárias para fazer o pagamento dentro do prazo.

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Na prática, muita gente sequer percebeu que tinha uma pendência em aberto.

Relatos semelhantes começaram a se repetir em diferentes estados. Motoristas afirmam que só descobriram a dívida após receber notificações em casa ou consultar a situação do veículo. Em outros casos, houve dificuldade para localizar a plataforma correta de pagamento ou entender como funcionava a cobrança nas rodovias administradas por concessionárias diferentes.

Com a repercussão, o governo criou um período de adaptação que vai até 16 de novembro de 2026. Durante esse intervalo, multas relacionadas ao Free Flow seguem suspensas em diversas situações e os pontos na CNH também deixam de ser aplicados enquanto os casos são analisados.

Quem já pagou multa ou tarifa ligada ao sistema pode buscar restituição diretamente nos canais oficiais dos órgãos de trânsito ou das concessionárias responsáveis pelas estradas. O processo exige envio de documentos e comprovantes para análise individual.

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Apesar da confusão, o pedágio eletrônico deve continuar avançando nas rodovias brasileiras nos próximos anos por reduzir congestionamentos e acelerar o fluxo nas viagens. O desafio agora é tornar o modelo mais compreensível para motoristas acostumados há décadas ao funcionamento tradicional das praças de pedágio.

Até lá, uma cena tem se repetido entre muitos brasileiros: descobrir que passou por um pedágio sem perceber — e que a viagem aparentemente tranquila terminou em multa inesperada.

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Rafha Costa
Rafha Costahttps://portalg.com.br
Jornalista, social media e obcecado por cultura pop.
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