A Copa do Mundo mal começou e já virou campo de batalha fora das quatro linhas. Desta vez, o jogo acontece entre a CBF e a 99. A confederação notificou a empresa de mobilidade depois que uma campanha inspirada em Endrick explodiu nas redes durante a partida do Brasil contra o Haiti.
O motivo da bronca não foi exatamente o atacante entrar em campo — algo que parte da torcida vinha cobrando desde antes do jogo —, mas a maneira como a 99 surfou nessa pressão popular para transformar o nome do jogador em promoção comercial.
A ação usava o slogan “O Brasil está pedindo, a 99 vai entregar”, numa provocação direta ao clamor por Endrick na seleção. A empresa prometia cupons de R$ 99 para passageiros atendidos por motoristas e entregadores chamados Endrick, Hendrick, Endrique ou Hendrique. Bastou isso para a campanha viralizar rapidamente durante a Copa.
Só que a CBF enxergou a brincadeira de outro jeito.
Segundo a entidade, a campanha criou uma associação comercial indevida com a seleção brasileira e com o torneio sem autorização oficial. A confederação argumenta que jogadores convocados para a equipe nacional possuem regras específicas de exploração comercial de imagem, principalmente em período de Copa do Mundo.
Quando meme vira problema jurídico
A discussão entrou no terreno do chamado “marketing de emboscada”, prática em que marcas tentam se conectar a grandes eventos esportivos sem pagar pelos direitos oficiais de patrocínio.
Na avaliação da CBF, a 99 ultrapassou a linha entre aproveitar um assunto quente da internet e criar uma campanha diretamente ligada ao ambiente da seleção brasileira. A entidade também afirma que iniciativas desse tipo podem afetar contratos milionários fechados com patrocinadores oficiais da Copa e da própria seleção.
A base da reclamação está na Lei Geral do Esporte, usada pela CBF para justificar a notificação extrajudicial enviada à empresa.
Campanha saiu do ar poucas horas depois
A repercussão foi tão rápida quanto o sumiço da campanha. Depois de receber a notificação, a 99 retirou do ar os conteúdos relacionados à ação. Na noite da última sexta-feira (19), as peças já não apareciam mais nos perfis oficiais da companhia.
O episódio também escancarou uma nova realidade da publicidade durante grandes eventos esportivos: hoje, marcas não precisam mais citar diretamente a Copa ou usar imagens oficiais para entrar na conversa. Basta entender o meme certo, o jogador do momento e o timing das redes.
E, honestamente, é justamente essa zona cinzenta entre piada, torcida e propaganda que está deixando patrocinadores e entidades esportivas cada vez mais nervosos.

