Nem sempre a campanha mais comentada nasce de um filme épico ou de uma celebridade milionária. Em Cannes Lions 2026, uma ação da Heineken baseada em áudios gigantes de WhatsApp virou o principal case brasileiro do festival até agora — e colocou a LePub no centro da disputa por Leões.
A campanha “Podia ser uma Heineken”, criada pelos escritórios da LePub em São Paulo e Milão, apareceu 13 vezes nas shortlists já divulgadas pelo festival. É o maior número entre os trabalhos brasileiros nas 22 categorias anunciadas até aqui, de um total de 31 competições.
A ideia parte de uma situação extremamente comum da internet brasileira: gente que transforma áudio de WhatsApp em podcast involuntário. A marca decidiu pegar justamente esse hábito cansativo e converter em encontro presencial.
Áudio longo virou cerveja grátis

A mecânica mistura provocação social e recompensa prática. Usuários maiores de idade podiam encaminhar mensagens de voz com mais de três minutos para um bot privado e criptografado. Em troca, recebiam voucher para ganhar uma Heineken e sugestões de bares para encontrar a pessoa da conversa pessoalmente.
A campanha circulou em mídia out-of-home e nas redes sociais, mas o que fez o projeto crescer foi justamente o reconhecimento imediato. Todo mundo conhece alguém que manda áudio infinito no WhatsApp — ou já foi essa pessoa.
O resultado colocou a Heineken em destaque nas áreas de Audio & Radio, Direct, Media, Outdoor e Social & Creator.
Mercado Livre transformou campo em QR Code

A disputa brasileira em Cannes, porém, não está concentrada numa única marca. Outro case que ganhou força foi “Cupom em Campo”, criado pela Gut para Mercado Livre.
A ação transformou um campo de futebol inteiro em QR Code funcional, misturando esporte, tecnologia e promoção em tempo real. O trabalho apareceu nove vezes nas shortlists das áreas de Entertainment for Sport, Direct, Media e Outdoor.
Já a campanha “Amazonia”, desenvolvida pela FutureBrand para Embratur e Rotas Amazônicas Integradas (RAI), acumula oito menções nas categorias Industry Craft, Design e Digital Craft. O projeto tenta consolidar uma identidade visual oficial para a Amazônia como marca global de turismo e território cultural.
Almap lidera entre as agências brasileiras
No ranking das agências brasileiras mais citadas até agora, a liderança é da AlmapBBDO, com 22 menções nas shortlists já reveladas.
Na sequência aparecem Africa Creative, com 17; Gut, com 16; LePub, com 15; e VML, com 14.
Entre os anunciantes, Heineken e Mercado Livre dividem o topo com 14 finalistas cada. Depois surgem Coca-Cola, com 11 menções, Embratur com 8, além de Brahma, O Boticário e Pedigree, todos com 6.
O Cannes Lions ainda não divulgou todas as categorias, mas uma coisa já ficou clara: em 2026, as campanhas brasileiras mais fortes parecem menos preocupadas em parecer “publicidade” e mais interessadas em virar assunto de internet. E isso, gostando ou não, costuma funcionar muito bem.

