A era do “publipost só por engajamento” parece estar ficando para trás. A Nestlé decidiu apertar o botão da conversão e lançou no Brasil um programa que transforma influenciadores em um braço direto de vendas da companhia.
Na prática, creators agora poderão ganhar dinheiro indicando produtos da marca com links e cupons personalizados. E não estamos falando só de grandes influenciadores. A empresa quer colocar nessa roda consumidores comuns com presença digital, creators menores e até funcionários da própria Nestlé.
O movimento chama atenção porque a companhia afirma ser a primeira da indústria de alimentos no país a estruturar um programa desse tamanho focado em afiliados. E o timing não parece aleatório. Com o custo de anúncios subindo e as redes sociais cada vez mais lotadas, marcas começaram a perceber que gente “real” vende mais do que publicidade com cara de publicidade.
O novo Programa de Afiliados Nestlé funciona em modelo de performance. Ou seja: quem gera venda recebe comissão ou premiação. A lógica é simples e muito parecida com o que gigantes da creator economy já fazem em moda, beleza e tecnologia. A diferença é ver uma empresa de alimentos entrando pesado nesse território.
Segundo a Nestlé, os participantes passarão por uma curadoria antes de serem conectados às campanhas das marcas com e-commerce próprio da companhia. Entre elas estão Nestlé Dolce Gusto, Kopenhagen, Puravida, Nestlé Nutre e Nestlé FamilyNes.
Influência virou canal de vendas de verdade

Durante muito tempo, influenciador servia principalmente para gerar alcance, curtida e lembrança de marca. Agora, a conversa mudou. O que interessa é clique, carrinho e compra concluída.
A própria Nestlé deixa isso claro ao afirmar que o programa adiciona uma camada mais focada em performance e conversão dentro da estratégia digital da empresa. Em outras palavras: o creator deixou de ser só vitrine e virou vendedor com meta indireta.
Os números ajudam a explicar essa mudança. Dados do Edelman Trust Barometer 2025 mostram que entre 50% e 60% dos consumidores confiam mais em “pessoas como eu” e em criadores de conteúdo na hora de considerar uma compra.
E no Brasil esse cenário cresce rápido. O país já ocupa a segunda posição mundial em número absoluto de creators, algo que acelerou a corrida das marcas para disputar espaço dentro da creator economy.
A Nestlé afirma que já vinha investindo nesse ecossistema há mais de uma década, incluindo ações com nutricionistas, chefs, creators e até programas internos que envolveram mais de 1.500 colaboradores. O novo programa, porém, deixa uma coisa evidente: as empresas não querem mais só influência. Querem resultado rastreável.
E sinceramente? Depois que as redes sociais viraram praticamente um shopping gigante, era questão de tempo até marcas tradicionais começarem a transformar creators em vendedores oficiais. A dúvida agora é: outras gigantes do mercado vão copiar isso também?

