Inteligência artificial cria perfume para cada visitante em experiência em SP

Instalação no FILE Festival transforma preferências pessoais em fragrâncias e mostra como a personalização pode mudar também o mercado de maquiagem

Em: Portal G

Publicidade

Escolher um perfume costuma ser um exercício de reconhecimento: testar, comparar e tentar encontrar uma fragrância que combine com a própria identidade. No FILE Festival 2026, em São Paulo, essa lógica aparece invertida. O visitante descreve sensações, referências e preferências para uma inteligência artificial e acompanha a criação de um perfume pensado a partir dessa conversa.

A experiência “Algorithmic Perfumery by EveryHuman”, do artista Frederik Duerinck, transforma um hábito bastante íntimo em demonstração tecnológica. O sistema interpreta ideias que podem ir de ambientes e memórias a conceitos abstratos e, a partir disso, monta uma composição própria.

O resultado não fica apenas na tela. Uma máquina instalada no evento trabalha com 54 acordes olfativos e prepara a fragrância em poucos minutos. Ao fim do processo, o participante pode experimentar o resultado em um frasco de 5 ml produzido ali mesmo.

Publicidade

É esse detalhe que torna a instalação interessante para além do efeito de novidade. A perfumaria sempre esteve ligada a gosto pessoal, memória e identidade, mas a indústria tradicional ainda opera majoritariamente com fórmulas criadas para grandes grupos. A inteligência artificial começa a testar outro caminho: produtos desenvolvidos quase pessoa por pessoa.

Quando a personalização deixa de ser só marketing

Nos últimos anos, personalizar virou uma das palavras mais repetidas no mercado de beleza, seja na indicação de produtos, em diagnósticos digitais ou em recomendações feitas por aplicativos. O experimento apresentado no FILE Festival leva essa ideia um passo adiante porque interfere na própria formulação do cosmético.

A Natura e a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) apoiam o projeto, que também funciona como teste para questões regulatórias envolvendo a manipulação de produtos em espaços acessíveis ao público.

Segundo Daniela Grazina, gerente sênior de Inovação e P&D da Natura, esse trabalho relacionado à regulamentação junto à Anvisa ocorre desde 2021 e a fase experimental deve seguir por mais um ano.

A discussão já começa a chegar à maquiagem. A Natura desenvolve uma tecnologia capaz de identificar tons e subtons da pele para produzir bases da linha Natura Una adaptadas às características de cada pessoa, com preparação prevista em menos de uma hora.

Perfumes criados com auxílio de IA e maquiagem personalizada devem passar por novos testes ainda em 2026. Mais do que inventar um produto diferente, essas experiências indicam uma mudança de comportamento: o consumidor começa a ser tratado menos como parte de um perfil médio e mais como ponto de partida da própria fórmula.

Publicidade

A instalação permanece no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, até 11 de outubro. Para quem passa pelo festival, a curiosidade está justamente em descobrir que tipo de cheiro uma inteligência artificial associa às próprias referências.

Siga o Portal G no Instagram e fique por dentro de tudo!
Rafha Costa
Rafha Costahttps://portalg.com.br
Jornalista, social media e obcecado por cultura pop.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Não Perca!

Publicidade