Quem ainda associa a Páscoa apenas ao consumo de chocolate encontra propostas que deslocam o foco para a apresentação. Em Manaus, uma iniciativa chama atenção por tratar vitrines como espaços expositivos, aproximando os produtos de uma lógica visual antes de alimentar.
A ideia é dos chefs Lucas Pyetro e Abner Ivan, responsáveis por uma coleção temática inspirada em obras clássicas da arte. Sob o nome “Páscoa: Uma Obra de Arte”, o projeto combina referências visuais conhecidas com técnicas de confeitaria, resultando em peças que remetem mais a objetos expositivos do que a sobremesas convencionais.
Entre os exemplos estão releituras de pinturas como a Mona Lisa, além de criações inspiradas em Noite Estrelada e Girassóis. Também há versões marmorizadas, itens com pintura manual em manteiga de cacau e esculturas que extrapolam o formato tradicional de ovos.




Apesar do apelo visual, os responsáveis destacam que o sabor segue como elemento central. As receitas incluem opções sem glúten, com menor teor de gordura e combinações como maracujá com amêndoas, avelã caramelizada e castanha-da-Amazônia com açaí.
Outro ponto relevante está no posicionamento desses produtos. Com processos que levam de três a seis dias e valores que podem chegar a cerca de R$ 3 mil, os itens se aproximam de um segmento mais restrito, distante do consumo cotidiano — embora existam versões menores.
O cenário reflete um movimento mais amplo: a segmentação da Páscoa. Enquanto produtos básicos seguem competindo por preço, outras propostas se apoiam em estética, conceito e diferenciação para justificar valores mais elevados.
Nesse contexto, a iniciativa observada em Manaus indica uma tendência em que datas comemorativas passam a incorporar elementos de narrativa e apresentação visual, ampliando o papel do produto para além do consumo imediato.
