Coca-Cola decidiu seguir um caminho pouco comum entre as gigantes do consumo. Enquanto muitas marcas apostam em rebrandings radicais para parecerem mais modernas, a empresa escolheu reforçar aquilo que já faz parte da memória coletiva. A nova identidade visual global preserva os símbolos mais conhecidos da marca e passa a ser implementada gradualmente em mais de 200 mercados.
A atualização começou na última segunda-feira (20) em países da Europa, Oriente Médio e Índia. A América Latina será contemplada nas próximas fases do cronograma, ainda sem uma data oficial, enquanto Estados Unidos e Canadá só receberão a novidade ao longo de 2027.
Menos mudanças, mais reconhecimento

Quem esperava uma revolução visual dificilmente encontrará isso nas prateleiras. A proposta foi justamente evitar rupturas. Entre as principais alterações está o retorno do logotipo na posição vertical nas latas, substituindo o formato horizontal adotado nos últimos anos.
As embalagens multipack também passam por mudanças. A frente das caixas ganha uma ilustração maior de uma lata, enquanto o Arden Square, elemento gráfico criado em 1969 e pouco utilizado nas últimas décadas, volta a integrar a identidade visual. A tradicional Fita Dinâmica também recebe mais destaque.
A Coca-Cola Zero Sugar acompanha essa estratégia. O preto, que havia se tornado dominante na comunicação da versão sem açúcar, deixa de ser a cor principal e passa a aparecer apenas em detalhes, como na tampa das garrafas e em parte da identidade gráfica. Em compensação, a identificação “Zero Sugar” ganha mais evidência para facilitar o reconhecimento pelo consumidor.
Inteligência artificial entra nos bastidores
A inteligência artificial participa do projeto, mas longe da criação de campanhas publicitárias. Em parceria com a Adobe, a companhia desenvolveu o Project Fizzion, uma plataforma alimentada pelo próprio acervo visual da Coca-Cola.
A ferramenta funciona como uma referência para equipes criativas e parceiros espalhados pelo mundo, reduzindo diferenças entre embalagens, materiais digitais e peças de comunicação produzidas em diferentes países. Paralelamente, a empresa também criou o Brand Center, um ambiente que reúne todos os padrões e ativos oficiais da marca.
Projeto envolveu diferentes especialistas

Em vez de centralizar todo o trabalho em uma única agência, a Coca-Cola dividiu a reformulação entre vários estúdios. A identidade global foi desenvolvida pela JKR. O sistema de embalagens ficou sob responsabilidade da Superultrarare, enquanto a Brody Associates criou a nova base tipográfica.
A direção de fotografia foi assinada por Guy Aroch, Anna Palma e Martin Wonnacott. Segundo Dave Balsamello, diretor de criação da JKR, a proposta nasceu como uma campanha específica, mas acabou evoluindo para uma reorganização completa da linguagem visual da marca — a primeira padronização global desse porte em quase uma década.
No fim, a mudança chama atenção justamente por evitar exageros. Em vez de reinventar um dos maiores símbolos do mercado de bebidas, a Coca-Cola decidiu fortalecer aquilo que o consumidor reconhece quase instantaneamente.

