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Justiça rejeita ação da Hershey’s contra Lacta e caso expõe nova guerra visual dos chocolates

Disputa envolvendo Hershey’s e Lacta revela como identidade visual virou peça estratégica no mercado de chocolates

Em: Portal G

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Nem sabor, nem preço. O que colocou duas gigantes do chocolate frente a frente na Justiça brasileira foi a cor da embalagem, o brilho do layout e a forma como um chocolate “parece premium” na prateleira. A disputa entre a norte-americana The Hershey Company e a brasileira Mondelez Brasil terminou com decisão favorável à dona da Lacta.

A Justiça de São Paulo rejeitou a ação movida pela Hershey’s, que acusava a Mondelez de copiar elementos visuais da linha Special Dark em produtos da Lacta. A empresa norte-americana queria suspender a comercialização dos chocolates concorrentes, alegando semelhanças na identidade visual das embalagens.

A decisão foi publicada na terça-feira, 12 de maio de 2026. No processo, a Hershey’s argumentava que a Mondelez teria adotado cores escuras, organização gráfica e recursos visuais próximos aos usados tradicionalmente pela linha de chocolates amargos da marca. A avaliação judicial, porém, não enxergou concorrência desleal suficiente para barrar os produtos.

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Mais do que uma discussão estética, o caso revela uma mudança importante no mercado alimentício: embalagens passaram a funcionar como linguagem emocional. Em poucos segundos diante de uma gôndola, o consumidor já associa determinadas cores, texturas e estilos a sensações como sofisticação, intensidade ou qualidade artesanal. O “preto premium” dos chocolates amargos virou praticamente um dialeto visual da categoria.

É justamente aí que as disputas aumentam. Marcas tentam proteger não apenas logotipos, mas também atmosferas visuais inteiras. Nos últimos anos, empresas globais passaram a tratar design de embalagem como patrimônio estratégico — especialmente em segmentos em que o produto físico muda pouco, mas a percepção muda tudo.

O curioso é que o consumidor comum raramente percebe essas batalhas silenciosas. Enquanto alguém escolhe um chocolate em segundos no supermercado, departamentos jurídicos e equipes de branding discutem detalhes como tipografia, contraste e posicionamento de elementos gráficos.

A decisão também reforça um entendimento recorrente no varejo: categorias inteiras acabam compartilhando códigos visuais semelhantes. Chocolates intensos costumam apostar em tons escuros; produtos “gourmetizados” frequentemente usam dourado, preto ou cobre; itens ligados à saudabilidade recorrem ao verde e ao bege. A Justiça considerou que parte desses recursos já pertence ao repertório comum do mercado.

No fim, a disputa mostra como o design deixou de ser apenas embalagem e passou a funcionar como ativo competitivo. Em uma prateleira cheia, muitas vezes o primeiro ingrediente vendido não é o chocolate — é a sensação que ele transmite antes mesmo da primeira mordida.

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