A nova campanha da marca de margarina Doriana evita colocar a reformulação do produto como elemento principal da comunicação. Em vez de apresentar diretamente mudanças na receita, a peça começa explorando uma imagem incomum: mães aparecem representadas como corujas em tamanho real, transformando em representação visual uma expressão popular já conhecida pelo público brasileiro.
A informação sobre a nova composição da margarina surge apenas depois da construção inicial da narrativa. A comunicação menciona que o produto passou a ser “duas vezes batido com leite de fazenda”, mas o foco principal permanece concentrado no simbolismo ligado à ideia de cuidado e proteção familiar.
Criada pela agência Galeria, a campanha utiliza a expressão “mãe coruja” como eixo central da comunicação. A escolha acompanha uma estratégia recorrente na publicidade recente, em que referências culturais amplamente reconhecidas são usadas para facilitar identificação rápida do público, especialmente em ambientes digitais de consumo acelerado de conteúdo.
A ação começou a ser veiculada em abril e foi distribuída em televisão, mídia digital, pontos de venda e peças de mídia exterior. A repetição do mesmo conceito em diferentes formatos reforça uma prática comum do setor publicitário: priorizar reconhecimento visual e associação imediata da campanha, em vez de concentrar a mensagem apenas em características técnicas do produto.
A representação literal da expressão “mãe coruja” também reduz a necessidade de contextualização mais extensa da peça. Em campanhas voltadas a consumo rápido de informação, elementos visuais de compreensão imediata costumam ganhar espaço por favorecer memorização e reconhecimento em poucos segundos.
Do ponto de vista de mercado, a campanha reflete um movimento frequente entre marcas tradicionais de alimentos, que têm ampliado o uso de narrativas emocionais e símbolos culturais para disputar atenção além dos atributos funcionais dos produtos. Nesse modelo, o produto deixa de ocupar sozinho o centro da comunicação e passa a dividir espaço com elementos ligados a comportamento, rotina doméstica e identificação cultural.

