A liderança no mercado brasileiro de beleza já não parece tão confortável quanto antes. Em um cenário de crescimento mais lento do setor, os números mais recentes mostram uma disputa que ficou bem mais apertada — e com sinais claros de mudança de força.
Em 2025, o Grupo Boticário atingiu R$ 38,1 bilhões em volume de vendas ao consumidor (GMV), ao mesmo tempo em que avançou nas categorias mais relevantes do setor, como perfumaria, maquiagem e cuidados com a pele. Esse movimento reduziu a diferença para a Natura+Avon ao menor nível já registrado: apenas 0,2 ponto percentual de participação de mercado.
O detalhe que chama atenção não é só o tamanho do resultado, mas onde ele aconteceu. As categorias que mais crescem e concentram valor — fragrâncias e skincare — foram justamente onde o Boticário ganhou espaço, enquanto concorrentes perderam participação. Isso ajuda a explicar por que, mesmo com o setor desacelerando, a empresa conseguiu avançar.

O mercado como um todo cresceu 6,8% em 2025, ritmo mais baixo dos últimos anos. Ainda assim, a empresa ampliou presença tanto no digital quanto no físico, abrindo novas lojas e expandindo canais indiretos, como farmácias e salões de beleza. Ao mesmo tempo, o e-commerce seguiu como o canal mais dinâmico, com alta de 19% no período.
Outro ponto relevante está no comportamento do consumidor. Parte significativa das vendas veio de produtos lançados recentemente, indicando um público mais aberto a novidades — um fator que pode favorecer empresas com maior سرعت de inovação e portfólio renovado com frequência.
Na prática, o que os dados revelam é uma mudança de equilíbrio. A Natura ainda lidera por uma margem mínima, mas a trajetória recente mostra um avanço consistente do Boticário, especialmente em segmentos mais rentáveis.
Para quem acompanha o setor, o recado é direto: não se trata apenas de quem vende mais, mas de quem cresce melhor nos espaços certos. E, nesse jogo, a diferença entre líder e vice nunca foi tão curta.
