A campanha lançada pela Doriana Cremosa não começa explicando a mudança na margarina. O primeiro impacto vem de uma escolha visual incomum: mães aparecem como corujas em tamanho real, transformando uma expressão popular em imagem concreta.
Só depois desse estranhamento inicial entra a informação objetiva. A marca atualiza sua receita, descrita como duas vezes batida com leite de fazenda, mas esse dado funciona mais como complemento do que como argumento central.
Criada pela agência Galeria, a comunicação organiza toda a narrativa em torno da personagem “Mãe Coruja”, usando a figura como atalho para falar de cuidado sem recorrer a descrições diretas. O filme traduz isso de forma literal, evitando explicações e apostando na interpretação imediata.
A campanha começou a circular em 20 de abril e se desdobra em versões curtas para TV, além de presença no digital, pontos de venda e mídia externa. A repetição do mesmo conceito em diferentes formatos indica uma tentativa de fixar a imagem como principal elemento de reconhecimento.
Há um detalhe curioso nesse caminho. A expressão “mãe coruja” já é amplamente compreendida, mas raramente é visualizada de forma literal. Ao transformar linguagem em imagem, a campanha reduz a necessidade de contexto e torna a mensagem mais rápida de decodificar.
Para quem acompanha publicidade, o caso mostra uma escolha específica de execução: priorizar um símbolo fácil de reconhecer antes de apresentar o produto, invertendo a ordem tradicional desse tipo de comunicação.
