O show de Shakira em Copacabana já terminou, mas a movimentação criada em torno do evento continua sendo vista como um exemplo importante da transformação das estratégias de marketing em grandes eventos gratuitos. A participação de marcas como a LATAM Airlines mostrou como empresas passaram a utilizar apresentações de grande escala não apenas para exposição publicitária, mas para ampliar presença em diferentes pontos da experiência urbana.
Durante os dias que antecederam o show, aeroportos, espaços de mobilidade, plataformas digitais e áreas de circulação intensa no Rio de Janeiro concentraram campanhas relacionadas ao evento. A lógica deixou de estar restrita ao palco ou à área da apresentação. O foco passou a incluir deslocamentos, turismo, ambientes de espera e a circulação constante de conteúdos nas redes sociais.
A presença da LATAM nesse contexto ajuda a explicar uma mudança relevante no mercado publicitário recente. Empresas ligadas ao turismo, transporte e entretenimento passaram a enxergar megaeventos gratuitos como oportunidades de associação simbólica com experiências coletivas de grande repercussão pública. Em vez de campanhas centradas apenas em venda direta, cresce o investimento em ações ligadas à visibilidade cultural e à ocupação estratégica da atenção do público.
O caso de Copacabana também evidencia como grandes cidades turísticas se tornaram ambientes valiosos para campanhas de alcance ampliado. Eventos desse porte reúnem audiência presencial, repercussão internacional e produção espontânea de conteúdo digital ao mesmo tempo. Mesmo após o encerramento do show, vídeos, imagens e comentários continuam circulando online, prolongando o impacto das marcas associadas ao evento.
Outro aspecto importante é a mudança na linguagem das campanhas. Muitas empresas passaram a abandonar formatos publicitários mais explícitos e apostam em ações integradas ao cotidiano urbano e ao comportamento digital do público. A intenção deixa de ser apenas anunciar um produto e passa a envolver presença contínua em experiências compartilhadas socialmente.
A escolha de Shakira como centro simbólico dessas ações também teve peso estratégico. Com forte reconhecimento internacional e ligação histórica com a cultura pop latino-americana, a artista ajudou a conectar turismo, circulação regional e entretenimento em uma mesma narrativa pública. Isso ampliou o interesse comercial em torno do evento e reforçou a capacidade de mobilização cultural da apresentação.
Mais do que uma campanha isolada, o episódio revela uma tendência crescente no mercado: megaeventos gratuitos passaram a funcionar como plataformas híbridas de comunicação, nas quais publicidade, mobilidade urbana, turismo e redes sociais operam de forma integrada na disputa pela atenção coletiva.

