quarta-feira, 1 abr 2026
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TikTok pede aval ao Banco Central e pode virar app de crédito no Brasil

Com pedido da ByteDance, TikTok avança para oferecer crédito e pagamentos no Brasil

Em: Portal G

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O que hoje é rolagem infinita de vídeos pode, em breve, virar também lugar para pedir dinheiro emprestado. A dona do TikTok, a ByteDance, deu um passo formal para entrar no sistema financeiro brasileiro ao solicitar autorização ao Banco Central do Brasil.

A movimentação, revelada pela Reuters em 31 de março, não é simples nem simbólica: envolve dois pedidos distintos. Um deles busca liberar a empresa para operar como instituição de pagamento, o que permitiria oferecer contas pré-pagas, guardar saldo e fazer transferências dentro do próprio aplicativo. O outro vai além — trata da criação de uma estrutura de crédito direto, modelo em que a empresa usa capital próprio para viabilizar empréstimos, sem funcionar como banco tradicional.

Na prática, isso colocaria o TikTok em rota de colisão com fintechs já consolidadas, como o Nubank, que cresceram justamente ao simplificar serviços financeiros básicos no celular. A diferença aqui é o ponto de partida: enquanto bancos digitais nasceram financeiros e depois viraram plataformas, o TikTok faz o caminho inverso — começa no entretenimento e tenta capturar o usuário também pelo bolso.

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Executivos da companhia chegaram a se reunir com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em Brasília. O conteúdo da conversa não foi divulgado, e nem a empresa nem o regulador comentaram oficialmente os planos.

O interesse não surge do nada. O Brasil virou peça-chave na estratégia da plataforma: o país fechou 2025 com cerca de 131 milhões de usuários adultos no app, que também liderou downloads no período. Em paralelo, a ByteDance já tem experiência no setor — desde 2021, opera um sistema de pagamentos próprio na China, o Douyin Pay.

O pano de fundo é uma disputa maior: quem controla a interface do usuário controla o fluxo de dinheiro. E, olhando friamente, faz sentido que aplicativos com grande base tentem capturar mais etapas da jornada digital — de ver conteúdo a pagar contas.

Para o usuário, a novidade ainda é promessa. Se aprovada, pode significar acesso mais fácil a crédito e serviços financeiros dentro de um ambiente já familiar. Por outro lado, levanta questões práticas: como serão as taxas, a transparência e a proteção de dados? Ainda não há respostas.

Por enquanto, o pedido está em análise. Mas o recado já foi dado: a guerra pelos serviços financeiros no Brasil pode ganhar um competidor improvável — e altamente popular.

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