quinta-feira, 19 mar 2026
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Reserva cria clube do livro e incentiva desconexão das telas

Reserva promove experiências offline e cria clube do livro para seguidores

Em: Portal G

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A decisão da Reserva de “sumir” das redes por 48 horas pode até parecer um gesto simples — mas, na prática, é uma jogada calculada num ambiente onde desaparecer custa caro. Em vez de alimentar o algoritmo, a marca escolheu o silêncio. E isso, hoje, chama atenção.

Com mais de cinco milhões de seguidores somados, a pausa não foi improviso. Ela faz parte do lançamento da coleção de inverno 2026, fotografada no Real Gabinete Português de Leitura — um cenário que reforça o discurso de desacelerar e reconectar com experiências fora da tela.

Durante esse “apagão”, o público foi empurrado — de propósito — para fora do feed: leitura, encontros presenciais, conversas. A proposta dialoga com um tema cada vez mais presente, o esgotamento digital. No Brasil, onde o uso de redes passa facilmente de cinco horas por dia, a iniciativa acerta ao tocar numa dor real. Mas não dá para ignorar o paradoxo: criticar o excesso de redes… usando isso como estratégia de marketing.

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Pessoas de diferentes idades e etnias sentadas em poltronas de couro lendo livros em uma biblioteca clássica com estantes de madeira ao fundo.
— Foto: Divulgação

A pausa, nesse contexto, funciona mais como símbolo do que ruptura. É uma inversão momentânea da lógica dominante — aquela que exige presença constante, volume e repetição. Ao sair de cena, a marca cria escassez. E escassez, no digital, gera curiosidade.

Nos bastidores, a ação também estimulou colaboradores e lojistas a reduzirem o ritmo online, priorizando interações físicas. Já o conceito da coleção aposta na ideia de herança: memórias, histórias e valores que atravessam gerações — com os livros como metáfora central de permanência em um mundo acelerado.

Esse discurso ganha corpo fora das redes. A partir de abril, lojas viram pontos de troca de livros em diferentes estados, e eventos presenciais entram na agenda — incluindo um clube do livro mediado por Pedro Pacífico.

No fim, a ação levanta uma questão incômoda: dá para desacelerar de verdade dentro de um sistema que premia o excesso? A Reserva não responde — mas transforma a dúvida em narrativa. E, ao fazer isso, mostra que até o silêncio pode ser planejado.

 

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