Existe uma prática ganhando corpo entre quem leva perfumaria a sério: o scent layering, ou seja, misturar diferentes produtos perfumados no corpo para criar uma “assinatura” única — um pouco de spray aqui, um creme ali, e agora, cada vez mais, algo nos fios também. O cabelo, que até pouco tempo atrás só entrava na equação por acaso (aquele reflexo do perfume corporal que gruda nas pontas), virou categoria própria.
A Skelt decidiu entrar nessa disputa. A marca lançou seu primeiro perfume capilar, batizado a partir de Amalfi Sunset — uma de suas fragrâncias mais populares — e a aposta é clara: transformar um produto de nicho em mais uma peça do ecossistema sensorial que a empresa vem construindo há anos.
“A perfumação deixou de estar restrita a um único produto e passou a acompanhar diferentes momentos da rotina. Hoje, vemos consumidores construindo uma experiência completa, em que corpo, mãos e cabelos fazem parte da mesma assinatura olfativa”, explica Keila Sauer, diretora de Marketing e Comunicação da Skelt Beauty Brands.
A fórmula é bifásica e promete perfume nos fios por até quatro horas — mas o discurso da marca vai além do cheiro. Segundo testes internos divulgados pela própria Skelt, o produto reduz em 88% o frizz e aumenta em 91% o brilho logo após a aplicação, além de selar a superfície do fio para dar toque macio e acabamento sem peso. Como os números partem de avaliações feitas pela marca, e não de laboratórios independentes, vale receber essa parte do discurso com o mesmo ceticismo de sempre — o efeito real varia conforme o tipo de cabelo e a rotina de cada pessoa.
Não é a primeira vez que a Skelt pega uma fragrância de sucesso e a espalha por outros formatos. Body splash, creme corporal, creme para as mãos, autobronzeador — Amalfi Sunset e companhia já passearam por praticamente toda a rotina de beleza. O perfume capilar é só mais uma etapa dessa expansão, que aposta na repetição do mesmo cheiro em produtos diferentes como estratégia de fidelização: quanto mais pontos de contato olfativo, maior a chance de o consumidor associar aquele cheiro específico à marca.
Resta saber se o mercado brasileiro vai abraçar o perfume capilar como abraçou o hair mist de textura leve nos últimos anos, ou se vai tratá-lo como mais um item supérfluo na já lotada prateleira do autocuidado.

