Uma das cenas mais lembradas dos fliperamas dos anos 1990 voltou a aparecer, desta vez longe dos videogames. Para marcar a chegada do novo filme de Street Fighter aos cinemas brasileiros, a Paramount Pictures transformou carros abandonados da Grande São Paulo em parte de uma intervenção urbana inspirada na famosa fase bônus em que os jogadores precisam destruir um automóvel antes que o tempo acabe.
A campanha, criada pela agência Leo, combina veículos reais com painéis instalados em paredes. As imagens reproduzem a estética em pixel art dos jogos antigos, com personagens como Ryu, Blanka e Chun-Li, além da expressão “Bonus Stage”. O carro estacionado diante do cenário completa a referência ao desafio que marcou uma geração de jogadores.
O detalhe escolhido para a divulgação tem uma história própria. Lançado em 1991, Street Fighter II ajudou a popularizar os jogos de luta e se tornou um fenômeno dos fliperamas. A fase de destruição do carro, embora não envolvesse um adversário tradicional, acabou conquistando um lugar particular na memória dos fãs. Era um intervalo entre combates que exigia velocidade e uma sequência de golpes para acabar com o veículo.
Mais de três décadas depois, a Paramount recupera justamente essa lembrança para apresentar uma nova adaptação cinematográfica da franquia da Capcom. A escolha também mostra como elementos secundários dos videogames podem ganhar força fora das telas, especialmente quando são reconhecidos pelo público sem precisar de grandes explicações.
Os carros abandonados acrescentam outra camada à campanha. Em uma cidade onde veículos deixados nas ruas fazem parte das questões urbanas, a intervenção transforma temporariamente esse cenário em publicidade. A proposta chama atenção pela combinação entre um objeto cotidiano e a linguagem visual dos jogos, embora não represente uma solução para o abandono dos automóveis.
A divulgação não ficou restrita às ruas. Registros das instalações e conteúdos produzidos com influenciadores também passaram a circular nas redes sociais, permitindo que a referência alcance fãs que não tiveram contato direto com os painéis.
A campanha chega em um momento de maior presença de Street Fighter na capital paulista. Entre 2 e 16 de outubro, a Estação Fradique Coutinho, da Linha 4-Amarela, também recebeu uma ambientação temática do filme, com personagens em tamanho humano, iluminação em neon e cenários inspirados no universo do game. A instalação no metrô foi uma iniciativa separada, realizada em parceria com a JCDecaux e a agência Leo Burnett.
Nos cinemas desde 15 de outubro, o novo Street Fighter é dirigido por Kitao Sakurai e se passa em 1993. A história acompanha Ryu, interpretado por Andrew Koji, e Ken, vivido por Noah Centineo, que são recrutados por Chun-Li, personagem de Callina Liang, para participar de um torneio de artes marciais envolvido em uma conspiração.
O lançamento também revisita uma franquia que já passou pelo cinema em outras ocasiões, incluindo o filme de 1994 estrelado por Jean-Claude Van Damme. A nova produção tenta aproximar a identidade dos jogos de uma aventura contemporânea, enquanto sua divulgação recupera imagens familiares aos fãs mais antigos.
Para quem pretende encontrar os carros da campanha, ainda não há endereços específicos ou período de visitação divulgados. Também não foi anunciada uma atividade que permita ao público destruir os veículos. Já o filme está em cartaz, com sessões e ingressos disponíveis para consulta na programação dos cinemas.

