Durante décadas, colecionar figurinhas da Copa do Mundo fez parte da rotina de crianças, famílias e torcedores em vários países. Mas essa tradição vai passar por uma mudança histórica nos próximos anos. A FIFA confirmou o encerramento da parceria com a Panini após a edição de 2030, encerrando uma relação iniciada em 1970.
A última Copa com álbum produzido pela marca italiana será justamente a de 2030, que acontecerá em Espanha, Portugal e Marrocos. Depois disso, os direitos passam para a norte-americana Fanatics, que utilizará a marca Topps na produção de figurinhas e cards ligados aos torneios da Fifa.
A troca representa mais do que uma simples mudança comercial. Ela acompanha uma transformação global no mercado de produtos esportivos licenciados, que passou a investir fortemente em colecionáveis digitais, edições limitadas e modelos de consumo voltados ao ambiente online. O álbum tradicional continua relevante, mas hoje divide espaço com um mercado bilionário de cards físicos raros e itens digitais voltados a colecionadores.
Segundo a Fifa, o novo acordo prevê a distribuição gratuita de US$ 150 milhões em figurinhas e cards ao redor do mundo ao longo da parceria. A entidade também pretende introduzir cards com partes de uniformes usados por jogadores, formato que já ganhou espaço em outras ligas esportivas internacionais.
Nos bastidores do futebol europeu, a mudança já vinha sendo desenhada há algum tempo. A Fanatics ampliou presença em torneios organizados pela UEFA e assumiu acordos ligados à Champions League e à Eurocopa até 2028. A empresa também atua em competições como MLS, NFL, MLB e Fórmula 1.
Mesmo com a expansão do mercado digital, a saída da Panini provocou forte reação entre torcedores nas redes sociais, principalmente pelo peso afetivo que os álbuns da Copa carregam há gerações. Para muitos fãs, completar páginas, trocar repetidas e buscar figurinhas raras virou um ritual tão ligado ao Mundial quanto assistir aos jogos da Seleção.
A mudança mostra como o futebol tenta adaptar produtos tradicionais a um público cada vez mais conectado e acostumado a experiências digitais, sem abandonar completamente elementos históricos que ajudaram a transformar a Copa do Mundo em um fenômeno cultural fora dos estádios.
