Escolher um cosmético entre dezenas de opções nas prateleiras pode ganhar uma ajuda da inteligência artificial. O Grupo Boticário está levando uma tecnologia que analisa características do rosto e recomenda produtos para cerca de 4 mil lojas de O Boticário em todo o Brasil. A novidade também chegou à Eudora, que passou a oferecer uma experiência semelhante para cabelos em sua loja virtual.
A mudança coloca a inteligência artificial em uma situação cotidiana: a dúvida sobre qual produto comprar. Em vez de depender apenas das informações das embalagens, o consumidor pode receber sugestões a partir de uma fotografia, em uma experiência que lembra os filtros e recursos de análise facial popularizados pelos aplicativos digitais.
Nas lojas de O Boticário, a ferramenta se chama Meu Botik. Com o auxílio de uma consultora, o consumidor tem uma imagem do rosto analisada por um sistema capaz de identificar mais de 150 características faciais, como uniformidade do tom da pele e linhas de expressão. Em aproximadamente 80 segundos, a tecnologia apresenta recomendações de cosméticos da linha Botik.

A experiência já havia passado por um teste em 24 lojas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo a empresa, o ticket médio das compras de skincare cresceu cerca de 80% durante o projeto-piloto. O número ajuda a explicar o interesse da rede em ampliar o serviço: além de orientar escolhas, a ferramenta pode incentivar a compra de uma rotina completa de produtos.
A Eudora seguiu outro caminho para levar a novidade ao público. O Siàge Hair Scan funciona no e-commerce da marca e combina fotografias com respostas a um questionário. A inteligência artificial considera seis características dos cabelos — frizz, curvatura, densidade, volume, cor e uniformidade da cor — para sugerir produtos da linha Siàge.
A diferença está na forma de atendimento. Enquanto O Boticário utiliza a análise durante a visita à loja, a Eudora permite que o consumidor explore as recomendações pela internet, antes de decidir o que colocar no carrinho. As duas experiências são voltadas aos catálogos das próprias marcas, e não à comparação entre produtos de diferentes fabricantes.
A iniciativa chega em um momento de disputa crescente pela atenção de quem consome beleza. Marcas de influenciadores, cosméticos coreanos e tendências que circulam nas redes sociais ampliaram as opções disponíveis ao público brasileiro. Nesse cenário, oferecer uma recomendação individual pode ser tão importante comercialmente quanto lançar uma nova linha.

O mercado também favorece esse investimento. Segundo projeções da Euromonitor divulgadas pelo Grupo Boticário, os segmentos de cuidados com a pele e cabelos têm crescimento estimado de 7% e 9,6%, respectivamente, em 2026. A personalização surge como uma maneira de disputar espaço nesses dois setores sem depender exclusivamente de novidades nas fórmulas ou embalagens.
Por trás das ferramentas está a Haut.AI, empresa de tecnologia da Estônia que recebeu investimento do Grupo Boticário por meio da GB Ventures. A plataforma utiliza visão computacional e uma base de mais de três milhões de imagens clínicas validadas. A companhia também informa que emprega um sistema patenteado de anonimização de imagens, chamado Skin Atlas.
A expansão acompanha uma transformação mais ampla do próprio grupo. Em 2026, a empresa foi apontada pela Euromonitor como a maior varejista especializada em beleza do mundo em número de lojas, reforçando o peso de sua rede física em uma época em que boa parte das descobertas de produtos acontece nas telas.
Para experimentar o Meu Botik, o consumidor pode procurar uma consultora nas lojas físicas de O Boticário. Quem deseja conhecer o Siàge Hair Scan pode acessar o site oficial da Eudora e buscar a ferramenta de análise capilar. As recomendações servem como orientação de compra, e a decisão sobre quais produtos adquirir continua sendo do consumidor.

