O Halloween de 2026 está abrindo espaço para uma decoração que mistura criatividade, nostalgia e reaproveitamento. Garrafas vazias, caixas de cereal, potes de conserva e jornais antigos podem se transformar em cenários de filmes de terror, sem depender de enfeites prontos. A proposta é dar uma segunda vida a objetos comuns, usando materiais simples e um pouco de imaginação.
O interesse pelo faça você mesmo, conhecido como DIY (do it yourself), aparece em um momento em que a celebração ganha cada vez mais espaço fora da noite de 31 de outubro. No Reino Unido, o fenômeno já recebeu o apelido de Halloweenmas, em referência à expansão das decorações e atividades temáticas ao longo do mês, semelhante ao que acontece no Natal.
Nos Estados Unidos, uma pesquisa de 2026 divulgada pela Goodwill aponta que 72% dos entrevistados pretendem incorporar elementos de segunda mão ou feitos em casa à decoração de Halloween. O levantamento ouviu 2 mil adultos norte-americanos de 18 a 64 anos que compram ou produzem fantasias, mostrando como a personalização também chegou aos ambientes da festa.
Essa mudança conversa com a estética do Halloween deste ano. Além das tradicionais abóboras laranjas e caveiras, tendências internacionais de decoração destacam objetos vintage, livros antigos, flores escuras e referências góticas. O resultado é uma atmosfera que lembra cenários de filmes de bruxaria e casas mal-assombradas, mas que pode ser reproduzida com objetos esquecidos nos armários.

Entre as ideias mais fáceis estão os fantasmas iluminados feitos com embalagens brancas de leite. Depois de lavar e secar o recipiente, basta desenhar olhos e boca com caneta permanente preta. Uma pequena abertura lateral permite colocar luzes de LED ou velas artificiais a bateria no interior, criando uma lanterna que pode decorar varandas, janelas e corredores. O corte da embalagem deve ser feito por um adulto.

Potes de vidro também podem ganhar aparência de múmias. O efeito é criado envolvendo o recipiente com gaze, fixada com cola, e acrescentando pequenos olhos decorativos. Uma luz de LED no interior destaca as camadas do tecido. Para evitar contato entre fogo e material inflamável, a iluminação deve ser feita sem chama.

Quem gosta de referências a histórias de magia pode transformar garrafas de vidro em frascos de poções fictícias. Tinta escura, barbante e etiquetas com aparência envelhecida ajudam a criar embalagens com nomes como “Lágrimas de Fantasma” e “Hálito de Morcego”. Agrupadas com livros antigos, elas formam uma pequena estante de bruxa, semelhante aos cenários de produções de fantasia. Os recipientes devem ser utilizados apenas como decoração, sem armazenar bebidas.

O papelão oferece espaço para criar um cemitério em miniatura. Caixas de cereal podem ser abertas, recortadas no formato de lápides e pintadas de cinza. Depois da secagem, nomes fictícios e mensagens divertidas completam o cenário. Para manter as peças em pé, um suporte dobrado de papelão pode ser colado na parte traseira. Como o material não resiste bem à chuva, a decoração funciona melhor em ambientes internos.

Até uma caixa de ovos pode render pequenos personagens. Cada compartimento de papelão, depois de recortado e pintado de preto, vira o corpo de uma aranha. Olhos decorativos e oito patas feitas com limpadores de cachimbo completam o visual. Um adulto deve cuidar das perfurações necessárias para encaixar as patas.

Para uma iluminação mais rústica, latas de conserva podem virar lanternas perfuradas. O método consiste em limpar a embalagem, enchê-la de água e congelá-la. Com o gelo formado, é possível desenhar padrões no metal usando martelo e prego, enquanto a superfície congelada ajuda a evitar deformações. Depois de descongelar e secar a lata, basta colocar uma luz de LED dentro. Por envolver metal cortante e ferramentas, o trabalho deve ser realizado por adultos.

Jornais antigos completam a decoração com teias de aranha de papel. A folha deve ser cortada em formato quadrado, dobrada e receber recortes nas bordas. Quando aberta cuidadosamente, revela uma teia que pode ser fixada em paredes e janelas com fita adesiva ou barbante. É uma alternativa para quem deseja preencher espaços sem recorrer às teias sintéticas vendidas em lojas de artigos para festas.

O reaproveitamento também permite fugir da aparência padronizada dos produtos sazonais. Um pote com tinta descascada, uma garrafa de formato incomum ou uma lápide de papelão com acabamento irregular podem contribuir para a estética de casa assombrada. Nesse tipo de decoração, a imperfeição faz parte do resultado.
A discussão sobre o desperdício durante o Halloween ganhou espaço em publicações internacionais de outubro de 2026. Nos Estados Unidos, a autoridade de resíduos SWACO passou a incentivar o uso de caixas de papelão, potes vazios e roupas antigas como alternativas aos enfeites descartáveis. Na Austrália, orientações públicas também destacam fantasmas feitos de lençóis usados e peças que possam ser guardadas para os anos seguintes.
Para quem pretende decorar a casa no Brasil, a ideia pode ser adaptada com embalagens disponíveis no cotidiano, como garrafas plásticas brancas, potes de geleia, caixas de alimentos e latas de conserva. Tintas, papéis e materiais de artesanato complementam as criações, sem exigir equipamentos sofisticados.
O mais interessante é que essas peças não precisam desaparecer depois do Halloween. Lanternas, frascos decorativos e personagens de papelão podem ser armazenados e reaproveitados na próxima edição da festa. E, para quem ainda não começou a decoração, talvez o primeiro material esteja justamente na embalagem que seria jogada fora hoje.

