Durante anos, “vira-lata” foi usado quase como ofensa no Brasil. A PEDIGREE decidiu pegar justamente essa palavra carregada de preconceito e transformar em campanha nacional. E fez isso usando um dos gatilhos mais previsíveis — e mais eficientes — da internet brasileira: o orgulho de ser caramelo.
A nova ação da marca, batizada de “PEDIGREE Vira-Lata”, amplia o universo criado pela plataforma Caramelo, campanha que virou fenômeno cultural nos últimos anos ao colocar o cachorro sem raça definida no centro da conversa. O movimento agora tenta ir além do meme e encostar num ponto mais emocional: fazer o brasileiro enxergar o vira-lata não como “segunda opção”, mas como símbolo de afeto, identidade e pertencimento.
Ronaldinho apareceu no meio da história — e a internet caiu na armadilha
Antes de revelar oficialmente a parceria com a PEDIGREE, uma publicação de Ronaldinho Gaúcho dizendo que “o Brasil é vira-lata” começou a circular nas redes e rapidamente virou debate. Muita gente entendeu a frase como provocação, crítica ou até comentário político. Era exatamente esse o objetivo.
A campanha usou o estranhamento como porta de entrada para chamar atenção para os milhões de cães sem raça definida espalhados pelo país — animais que ainda enfrentam abandono, adoção mais difícil e menos visibilidade em comparação aos cães de raça.
Quando a ação foi revelada, a frase ganhou outro significado: o “vira-lata” deixava de ser tratado como algo inferior e passava a ser associado a carinho, mistura, sobrevivência e identidade brasileira.

Do caramelo ao símbolo nacional
A PEDIGREE percebeu cedo uma coisa que muita marca ainda tenta entender: o vira-lata caramelo deixou de ser apenas cachorro. Virou linguagem de internet, figurinha, fantasia, meme, camiseta e praticamente patrimônio afetivo nacional.
A campanha anterior, Caramelo, criada pela AlmapBBDO, ganhou repercussão internacional e levou o Titanium Lions no Cannes Lions 2025 — um dos prêmios mais importantes da publicidade mundial. Agora, a marca tenta expandir esse território simbólico para todos os cães sem raça definida, não só para o caramelo “clássico”.
A ideia é simples: mostrar que cuidado, alimentação adequada e adoção responsável não deveriam depender de pedigree.
A campanha quer mexer também com comportamento
Além das peças publicitárias, a PEDIGREE afirma que a iniciativa continuará nas próximas semanas com criadores de conteúdo e personalidades digitais ampliando a discussão sobre adoção responsável.
O discurso da campanha bate justamente num ponto que ONGs e protetores repetem há anos: enquanto cães de raça costumam ter fila de interessados, milhões de vira-latas seguem invisíveis em abrigos ou nas ruas.
Ao transformar o vira-lata em símbolo de orgulho nacional, a marca também tenta alterar a percepção cultural sobre esses animais — e talvez esse seja o movimento mais inteligente da campanha.
Porque no fim das contas, basta olhar em volta para perceber: o cachorro mais brasileiro de todos nunca teve raça mesmo. Para mais informações, acompanhe o perfil oficial da Pedigree Brasil no Instagram.

