O Boticário vai colocar o nariz do público à prova no Festival de Inverno de Bonito. Entre 26 e 30 de agosto, a marca troca parte da lógica tradicional de apresentar perfumes por um jogo em que três fragrâncias aparecem sem identificação e precisam ser reconhecidas apenas pelo cheiro. A brincadeira acompanha uma mudança mais ampla no mercado de beleza: fazer o consumidor experimentar antes de explicar.
A proposta chega em um momento no qual experiências sensoriais ganharam mais espaço nas discussões sobre consumo. Em 2026, a WGSN apontou o chamado “reset sensorial” entre as forças capazes de influenciar os próximos anos, movimento baseado justamente em experiências físicas que recuperam tato, cheiro, som e outras sensações em um cotidiano cada vez mais mediado por telas.
É nesse território que o jogo olfativo se encaixa. Em vez de começar pela embalagem ou pelo nome, a dinâmica inverte a relação com o perfume: primeiro vem a memória provocada pelo aroma; depois, a tentativa de descobrir o que está sendo sentido. A perfumaria funciona especialmente bem nesse tipo de experiência porque cheiro, identidade pessoal e lembrança caminham juntos, algo que ajuda a explicar por que o segmento vem escapando da simples função de item de beleza.
O movimento também encontra um mercado brasileiro bastante conectado a fragrâncias. Dados da Kantar divulgados no fim de 2025 indicavam que perfumes já estavam presentes em 65% dos lares brasileiros pesquisados, após crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Em 2026, a força comercial da categoria voltou a aparecer com Malbec: dados da Euromonitor referentes a 2025 colocaram a linha entre as três fragrâncias masculinas mais comercializadas globalmente.
No festival, justamente Malbec Eau de Parfum e Floratta Red estarão entre as fragrâncias apresentadas ao público. A primeira trabalha uma assinatura ligada a notas amadeiradas, enquanto Floratta Red segue por uma composição marcada por frutas vermelhas. Mais do que detalhar famílias olfativas, a presença das duas mostra como perfumes conhecidos passam a ser usados como matéria-prima para entretenimento.
Festival virou território de experiência
Há uma mudança de cenário por trás disso. Grandes eventos culturais deixaram de concentrar a experiência paralela apenas em painéis, espaços para fotografias ou distribuição de produtos. Em 2026, análises do setor de brand experience vêm destacando atividades capazes de criar memória e participação física como uma das principais apostas das marcas para competir pela atenção do público.
Bonito oferece um contexto particular para esse movimento. O Festival de Inverno chega à 25ª edição neste ano e transforma diferentes espaços da cidade em pontos de música, teatro, dança, circo, cinema, literatura, artes visuais e cultura popular. A programação é gratuita e mistura artistas nacionais com produção sul-mato-grossense.
Entre os nomes nacionais anunciados para 2026 estão Ferrugem, Léo Foguete e Seu Jorge, em apresentações previstas para os dias 27, 28 e 29 de agosto, respectivamente. A edição adotou ainda o udu-de-coroa-azul, ave encontrada na região, como um de seus símbolos visuais.
É nesse ambiente, entre turismo de natureza e programação artística, que marcas também passam a disputar alguns minutos da agenda do visitante. A diferença é que chamar atenção em um festival exige mais do que instalar uma estrutura bonita: o público precisa ter alguma coisa para fazer ali.
O Boticário também terá retoques de maquiagem com Make B. e distribuição de óculos, copos e amostras de fragrâncias entre participantes das atividades. Os itens estarão condicionados ao cadastro no programa Beautybox, que poderá ser realizado no próprio espaço.
“Nas últimas edições, construímos memórias com milhares de pessoas e, neste ano, queremos tornar essa presença ainda mais expressiva por meio da nossa ativação, da interação com o público e do patrocínio do evento”, afirma Roberta Pepe, gerente de Marketing Regional do Boticário.
Esta será a quarta participação consecutiva da marca no Festival de Inverno de Bonito. O que muda de interesse em 2026 não é apenas sua presença, mas o formato escolhido: perfume deixa de ser apenas algo colocado no pulso para virar brincadeira, memória e tentativa de reconhecimento.
Em um festival com mais de duas décadas de história, até o olfato entrou na programação.


