A jogada do McDonald’s Brasil com a Working Title tem um cheiro conhecido: o de exclusividade estrategicamente dosada. A parceria, batizada de “A WT Ainda Mais Méqui”, traduz ícones da marca — dos Arcos Dourados à caixa de delivery — em peças de streetwear que vão circular apenas no Lollapalooza 2026. Mas há um detalhe que muda o tom da operação: não há venda. O drop é inteiramente direcionado a influenciadores.
Enquanto o mercado de collabs entre fast-food e moda costuma abrir brechas para o público consumidor — ainda que em tiragens limitadas — aqui a estratégia é outra. A coleção funciona menos como produto e mais como mídia vestível. São três camisetas, um moletom, dois lenços, três bonés e uma bolsa de couro que reproduz a sacola de delivery. Tudo feito para ser usado durante o festival por um grupo seleto de convidados, transformando cada peça em um ponto de ativação de marca em movimento.
“No Lollapalooza, a experiência também passa pelo estilo”, diz Ilca Sierra, diretora de marketing do McDonald’s no Brasil. A frase entrega a virada de chave: a marca não está apenas patrocinando um festival — está tentando ocupar o guarda-roupa dele. E ao restringir o acesso, o Méqui amplifica o valor simbólico da collab. É o tipo de operação que transforma um boné em objeto de desejo justamente por não estar disponível.

A escolha da Working Title para assinar a curadoria não é aleatória. Com trânsito consolidado no universo da moda urbana e uma linguagem que transita entre o soturno e o conceitual, a marca paulista entrega o selo de autenticidade que a operação exige. “Este projeto marca um ponto pivotal em nossa trajetória”, afirma Thiago Paes, diretor criativo da Working Title. A frase indica que, para a grife, a parceria vai além de um licenciamento — é um movimento de reposicionamento.
Para o público que estará no Autódromo de Interlagos entre os dias 20 e 22 de março, a collab vira parte da paisagem. Para quem acompanha de fora, vira curadoria de referência. O serviço útil aqui é outro: fica a leitura de que, no atual ecossistema de cultura de marca, o que escasseia é o que ecoa. E o Méqui parece ter entendido que, às vezes, não vender é a forma mais certeira de manter o hype.

