Em meio a um movimento silencioso de ajuste interno, a Frooty decidiu mexer nas peças-chave da sua liderança — um sinal claro de que o mercado de alimentos naturais segue em transformação e exige respostas rápidas das marcas que querem continuar relevantes.
A mudança chega logo após a companhia avançar em um processo de reorganização financeira, incluindo reestruturação de capital e alongamento de dívidas. Nesse cenário, o economista Alexandre Araújo assume como novo CFO. Com cerca de duas décadas de experiência e passagens por empresas ligadas ao fundo Pátria Investimentos — que controla a Frooty — ele entra justamente quando o foco é dar mais fôlego à operação e preparar o terreno para crescer com mais previsibilidade.
Na área comercial, quem chega é Carlos Bentim, com histórico em gigantes da indústria alimentícia. A missão não é pequena: fortalecer relações com parceiros e ajustar a estratégia de vendas em um momento em que o consumo pede mais eficiência do que volume.
Mas a movimentação não para por aí. A criação de uma diretoria voltada exclusivamente para Projetos Estratégicos, agora liderada por Nathalia Pires, indica que a empresa está estruturando sua expansão de forma mais organizada — inclusive fora do Brasil, com olhos voltados também para os Estados Unidos.
Para fechar o ciclo, Julia Bueno assume como gerente executiva de Marketing, trazendo experiência em gestão de marca no varejo. Ela passa a comandar áreas que vão de comunicação e eventos até ESG e inteligência de mercado — um pacote que mostra como o branding deixou de ser só estética e virou estratégia central.
Segundo o CEO Fabio Carvalho, “a nova estrutura de capital da Frooty nos permite focar 100% da nossa energia no crescimento da empresa. Os novos diretores são adições muito relevantes neste momento de maturação e expansão de negócio”.
Na prática, o que parece apenas troca de cadeiras revela algo maior: empresas de nicho, como as de açaí premium, estão entrando em uma fase mais profissionalizada, com gestão cada vez mais próxima dos grandes grupos. Para o consumidor, isso tende a significar marcas mais presentes, padronizadas e com ambições internacionais — um reflexo direto de como hábitos locais podem virar negócio global.

