Dá para escrever usando o próprio mapa? A nova marca da Amazônia parte dessa ideia pouco óbvia: as letras foram formadas a partir das curvas reais do Rio Amazonas e de seus afluentes, identificadas em imagens de satélite.
O projeto foi desenvolvido dentro da iniciativa Rotas Amazônicas Integradas (RAI), em parceria com a Embratur e com criação da FutureBrand. Ele surge em um contexto curioso: mesmo ocupando cerca de 60% do território brasileiro e reunindo aproximadamente 28 milhões de pessoas, a Amazônia Legal nunca teve uma identidade visual única. Cada um dos nove estados sempre se comunicou de forma separada.
Na prática, o desenho das letras não veio de um esboço tradicional. As formas foram encontradas diretamente na geografia da região, a partir da análise dos rios vistos do alto. Isso faz com que a identidade tenha origem literal no território, já que não foi criada do zero, mas derivada de elementos reais.
O processo também incluiu a participação de moradores e profissionais dos nove estados da Amazônia Legal — Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Entre os envolvidos estão artistas, fotógrafos, ilustradores e produtoras audiovisuais.
A identidade foi pensada para funcionar em diferentes usos, com variações visuais que podem se adaptar conforme o contexto, sem alterar sua base principal.
Além da marca, foi criado o selo “Feito de Amazônia”, voltado à identificação de produtos, artesanato e experiências originados na região. Ainda não foram detalhados os critérios de uso ou como essa aplicação deve acontecer na prática.
A iniciativa aparece como mais uma tentativa de organizar a comunicação da região, historicamente fragmentada entre os estados. Outras propostas de integração já surgiram antes, mas sem consolidar uma representação visual única.





