Aprender coreano por causa dos doramas, destravar o inglês para acompanhar conteúdos sem legenda ou finalmente tirar o espanhol do improviso. Em São Paulo, esse movimento cada vez mais ligado à cultura pop, ao trabalho e à vida digital ganhou uma alternativa pública: os Centros de Estudos de Línguas Paulistanos (CELPs) oferecem cursos gratuitos dentro dos CEUs — e, em 2026, parte das turmas passou a alcançar também quem não estuda na rede municipal.
A expansão é um dos pontos mais interessantes da iniciativa neste ano. A Prefeitura anunciou mais de 8 mil vagas e informou que 13 CEUs têm turmas destinadas também à comunidade em geral, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. A entrada depende da disponibilidade existente em cada unidade.
Isso muda um pouco a imagem do curso público de idiomas como algo necessariamente preso ao calendário escolar. Os CELPs funcionam como uma rede gratuita de formação linguística e colocam idiomas que ganharam novo peso cultural nos últimos anos — como coreano, japonês e chinês — ao lado de opções mais tradicionais.
Do inglês ao coreano
A oferta divulgada para 2026 inclui alemão, chinês, coreano, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês. Há ainda iniciativas de Libras e português para migrantes. Nem todos os idiomas aparecem em todos os CEUs: cada polo mantém sua própria combinação de turmas.
É justamente essa variedade que dá ao projeto uma dimensão que vai além do currículo. Coreano conversa diretamente com a expansão do K-pop e dos doramas; japonês e chinês circulam por universos culturais e econômicos próprios; enquanto francês, espanhol e inglês continuam ligados a viagens, formação acadêmica e mercado de trabalho.
A proposta dos CELPs também inclui intercâmbio cultural. Em 2026, estudantes participaram de encontros com representantes consulares de diferentes países europeus, com conversas sobre costumes, mobilidade internacional e possibilidades de estudo no exterior.
Os cursos são presenciais, contam com material didático e podem durar até três anos e meio, passando pelos níveis básico, intermediário e avançado, com certificação por etapa.
Quem não estuda na rede também pode tentar uma vaga
Em 2026, os 13 CEUs divulgados com atendimento à comunidade são: Navegantes, Vila Rubi, Heliópolis, Meninos, Aricanduva, Jaçanã, Parque Novo Mundo, Tremembé, São Miguel, Vila Curuçá, Jaguaré, Parelheiros e Perus.
A presença nessa lista não significa que todos ofereçam os mesmos idiomas. Por isso, é importante verificar a programação do polo escolhido e a disponibilidade da turma antes de se deslocar.
Como participar
Para o público em geral, a inscrição é gratuita e presencial no Polo de Formação do CEU escolhido. É necessário apresentar documento de identidade e comprovante de residência.
Estudantes da Rede Municipal precisam apresentar RG do estudante, RG e CPF do responsável, comprovante de residência e os dados da matrícula escolar.
As turmas podem funcionar pela manhã, à tarde ou à noite. Como a disponibilidade muda conforme o CEU e o idioma, a orientação é consultar primeiro quais cursos estão sendo oferecidos e se ainda existem vagas.
A relação de unidades e informações atualizadas pode ser consultada na página dos CELPs da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Para quem imaginava que aprender coreano, francês ou japonês exigiria necessariamente procurar uma escola particular, há uma rota diferente passando pelos CEUs da cidade.

