O feed voltou quatro décadas no tempo. Cabelos volumosos, ombreiras, jeans, maquiagem marcada e fotografias com aquele aspecto ligeiramente granulado dos antigos álbuns de família passaram a ocupar as redes sociais graças à trend dos anos 80 criada com inteligência artificial.
A onda começou a ganhar força no início de setembro e encontrou terreno perfeito no Instagram, onde correntes com o adesivo “adicione o seu” ajudaram a espalhar as imagens. A graça está menos em simplesmente aplicar um filtro retrô e mais em descobrir uma versão fictícia de si mesmo em outra época.
O movimento também virou uma pequena disputa entre memória real e memória fabricada. Xuxa entrou na conversa publicando fotografias verdadeiras dos anos 1980 e brincou que não precisava de IA. Solange Almeida fez algo parecido dias depois, usando um registro original da década.
É justamente aí que a trend diz bastante sobre o momento atual da internet: a IA deixou de ser apenas uma ferramenta para criar imagens impossíveis e passou a funcionar como uma espécie de máquina de nostalgia personalizada. Cada usuário consegue construir um passado que nunca viveu — ou imaginar outra versão daquele que viveu.
Como criar sua foto na trend
Para fazer a imagem, é possível usar ferramentas de IA generativa como ChatGPT ou Gemini. O ideal é escolher uma fotografia nítida, com o rosto bem iluminado e visível, anexá-la à ferramenta e descrever como a transformação deve acontecer.
Um comando que ajuda a manter a identidade da pessoa é:
Transforme esta foto como se tivesse sido tirada nos anos 80. Mantenha meu rosto, meus traços faciais e minha identidade reconhecíveis. Recrie minha aparência com roupas, cabelo e acessórios típicos da década de 1980. Use fotografia realista com estética analógica, granulação de filme, iluminação e cores características da época. O cenário e os objetos também devem combinar com os anos 80.
Depois da primeira versão, dá para pedir mudanças específicas sem recomeçar tudo: trocar o penteado, mudar a roupa, adicionar acessórios ou transportar a cena para uma discoteca, fliperama, festa ou outro cenário associado à década.
A popularidade ajuda a explicar por que trends desse tipo se repetem. Elas combinam três coisas que funcionam muito bem nas redes: reconhecimento imediato, transformação pessoal e nostalgia. A tecnologia muda; a vontade de se enxergar dentro de outra história continua a mesma.

