Enquanto grandes marcas seguem disputando influenciadores já consolidados, a Guava decidiu mirar em outro grupo: criadoras menores, mas altamente ativas nas redes sociais. A marca de maquiagem abriu inscrições para um programa de embaixadoras que mistura comissão por vendas, campanhas exclusivas e participação direta nas ações da empresa.
A proposta parece simples, mas revela uma tendência cada vez mais forte no mercado digital brasileiro. Em vez de contratar apenas nomes gigantes da internet, marcas começam a investir em microinfluenciadoras que falam com públicos mais nichados — e muitas vezes mais engajados.
O programa quer transformar seguidores em renda

O detalhe que mais chama atenção no projeto é a promessa de pagamento por comissão. Segundo as informações divulgadas pela marca, cada participante recebe um cupom exclusivo para divulgar nas redes sociais. A cada compra feita usando esse código, a criadora ganha 10% de comissão.
Na prática, a estratégia aproxima o programa de modelos usados por plataformas de afiliados e creators de lifestyle. A diferença é que a Guava tenta vender isso como uma comunidade criativa, com encontros, participação em campanhas e acesso antecipado a lançamentos.
Além da comissão sobre vendas, a marca promete produtos em primeira mão, convites para eventos exclusivos e a chance de aparecer nas redes oficiais da empresa. Tudo isso embalado em um discurso voltado para “crescimento conjunto” entre marca e criadoras.
Nem todo mundo pode entrar

Apesar do tom acessível nas publicações, o programa tem critérios definidos. Para participar, é preciso ter pelo menos 18 anos e manter um perfil ativo produzindo conteúdo frequente sobre beleza e lifestyle.
O link para inscrição está disponível no perfil oficial da marca no Instagram.
Outro detalhe importante envolve a frequência de produção. As aprovadas precisarão fazer ao menos quatro publicações por mês em plataformas como TikTok e Instagram, incluindo Reels ou Stories.
A marca ainda afirma que as participantes devem seguir um “manual de boas práticas” e um regulamento interno. Ou seja: apesar do visual leve e da comunicação descontraída, existe uma estrutura organizada por trás da iniciativa.
Marcas estão trocando celebridades por creators menores
O movimento da Guava não acontece por acaso. Nos últimos anos, empresas passaram a perceber que criadores menores conseguem gerar conversas mais naturais e maior sensação de proximidade com o público.
Em muitos casos, um perfil com poucos milhares de seguidores acaba tendo mais impacto real na decisão de compra do que celebridades gigantescas com milhões de fãs e baixa interação.
Isso também explica por que programas de embaixadores viraram febre entre marcas de beleza, moda e lifestyle. O creator deixa de ser apenas “garoto-propaganda” e passa a funcionar como um canal permanente de divulgação.
No caso da Guava, o discurso gira em torno de “troca”, “comunidade” e “crescimento”. Mas no fundo, a empresa aposta mesmo é no poder do conteúdo produzido por pessoas comuns — algo que hoje vale muito mais nas redes do que campanhas extremamente produzidas.
No fim das contas, programas assim mostram como a internet mudou a lógica da influência: hoje, ter uma comunidade engajada pode valer mais do que ter fama.

