A exibição de um vídeo em estádios como o Allianz Parque e o Maracanã marca uma estratégia menos óbvia: levar um tema sensível para onde a atenção do público já está. A ação faz parte da campanha “Violência Não Cola”, lançada em 30 de abril, data que marca o Dia Internacional pelo Fim do Castigo Físico de Crianças e Adolescentes.
A iniciativa do UNICEF aposta em um formato familiar ao público jovem, um álbum digital de figurinhas, para abordar situações de risco e práticas de cuidado no cotidiano. A mecânica separa comportamentos que “colam”, ligados à proteção e ao diálogo, daqueles que “não colam”, associados a diferentes formas de violência, incluindo negligência, agressão física e violência sexual.
O conteúdo não se limita à dinâmica lúdica. No verso das figurinhas, dados ajudam a dimensionar o problema: mais de 15 mil crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta entre 2021 e 2023, e mais de 165 mil sofreram violência sexual no mesmo período, segundo levantamento do UNICEF com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria dos casos ocorre dentro de casa, o que desloca o debate para além do espaço público.

A campanha também entra em campo com nomes conhecidos do futebol, como Rodrygo e Paulinho, e se conecta a partidas relevantes: Palmeiras x Santos, no dia 2 de maio, e Flamengo x Vasco, no dia 3, ampliando o alcance da mensagem em um ambiente de alta audiência.
Para além da visibilidade, há um componente prático. A ação inclui conteúdos nas redes sociais voltados a pais, mães e cuidadores, com orientações sobre educação sem violência e sinais de alerta. A proposta é transformar reconhecimento em ação cotidiana, especialmente em contextos onde a violência tende a ser invisibilizada.
Com apoio da Federação Paulista de Futebol e de empresas como Soho Sports and Brand, N Sports, 4Content, Fábrica Social e Editora Paulus, a iniciativa revela um movimento mais amplo: usar linguagens populares para tratar temas estruturais, aproximando informação de quem, muitas vezes, não acessa canais institucionais tradicionais.
