Uma residência artística que começa com uma pergunta: “O futuro chega para quem?”. Esse é o ponto de partida de Futuros Pretos, iniciativa do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, com patrocínio da Vivo, que abriu inscrições para selecionar cinco artistas negros. Além da oportunidade de criar obras para uma exposição coletiva, cada participante receberá uma bolsa de R$ 5 mil e poderá contar com até R$ 8 mil para produção artística.
O projeto propõe uma experiência de criação a partir do acervo do museu, aproximando memória, ancestralidade e diferentes visões de futuro. Os trabalhos serão desenvolvidos durante uma residência presencial em São Paulo, entre 5 e 14 de novembro de 2026, antes de integrarem uma exposição aberta ao público.
A proposta chama atenção por financiar também o processo criativo. Em um setor no qual muitos artistas precisam conciliar a produção cultural com outras atividades, a combinação de bolsa e recursos para materiais e desenvolvimento das obras representa uma oportunidade de dedicação a um projeto autoral.
Os cinco selecionados passarão por dez dias de residência, divididos entre cinco dias de imersão e cinco de produção. Nesse período, poderão pesquisar o acervo do Museu Afro Brasil e desenvolver trabalhos em pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia, instalação, performance, audiovisual, arte digital, arte sonora ou processos híbridos.
A variedade de linguagens permite que a relação com o acervo ultrapasse formatos tradicionais de exposição. Uma pesquisa sobre memória, por exemplo, poderá resultar tanto em uma obra visual quanto em uma experiência sonora ou instalação contemporânea, conforme a proposta de cada artista.
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, localizado no Parque Ibirapuera, mantém uma programação dedicada à história e à produção cultural afro-brasileira. Em 2026, iniciativas como a exposição Nzo – Memórias Afro-brasileiras e o projeto MAB Leste Afora também exploram diferentes formas de aproximação entre patrimônio, criação e público.
Futuros Pretos acrescenta a essa programação uma etapa de produção inédita. A exposição coletiva está prevista para abrir em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e permanecer em cartaz até 20 de dezembro de 2026. A escolha da data de abertura estabelece uma relação direta com as discussões sobre memória, identidade e presença negra na cultura brasileira.
Além da bolsa individual de R$ 5 mil, em valor bruto, cada artista terá acesso a uma verba de produção de até R$ 8 mil. Para selecionados que residem fora da cidade de São Paulo, o projeto também prevê passagem e hospedagem, ampliando as possibilidades de participação de profissionais de outras regiões do país.
As obras produzidas durante a residência serão doadas ao Museu Afro Brasil, enquanto a autoria permanecerá com os artistas. Essa condição permite que os trabalhos passem a integrar o patrimônio da instituição sem retirar o reconhecimento de seus criadores.
A seleção é destinada a artistas autodeclarados pretos ou pardos, brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil, com idade mínima de 18 anos e portfólio artístico. Não é exigida formação acadêmica em artes, o que abre espaço para trajetórias construídas em coletivos culturais, ateliês independentes e outros ambientes de criação.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até as 23h59 de 27 de outubro de 2026. O edital completo, com documentos necessários, critérios de avaliação e cronograma, está disponível na página oficial de chamamentos do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.
A residência acontecerá presencialmente no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, localizado na Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 10, no Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP).
Com cinco vagas disponíveis, a seleção reúne apoio financeiro, pesquisa de acervo e oportunidade de exposição. Os interessados têm até 27 de outubro para consultar o edital e realizar a candidatura.

