Mesmo com a novidade chegando a grandes cidades, a baixa presença feminina entre motoristas — cerca de 8% da base — já indica que a escolha nem sempre estará disponível na prática. Esse é o principal ponto por trás da expansão do recurso “Uber Mulher”, liberado gradualmente pela Uber em 13 capitais brasileiras.
A função permite que passageiras e pessoas não binárias priorizem viagens com motoristas mulheres, mas depende diretamente da oferta na região e do horário. Em cenários de pouca disponibilidade, o próprio aplicativo pode sugerir outro motorista para evitar longas esperas — o que relativiza a promessa de escolha total.
A ferramenta aparece de três formas: como opção direta para corridas imediatas durante o dia, no agendamento com antecedência mínima e como preferência ativada no perfil, que tenta priorizar condutoras em categorias comuns. Na prática, funciona como um filtro adicional dentro do sistema já existente.
A expansão inclui cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Brasília, seguindo um modelo de liberação gradual. O movimento acompanha uma demanda recorrente por mais controle nas viagens, especialmente entre mulheres, mas também escancara um desafio estrutural: a baixa participação feminina no setor de transporte por aplicativo.
Sem alterar regras básicas da plataforma, a mudança atua mais como ajuste de preferência do que como nova categoria consolidada. Para quem usa, pode significar mais conforto em alguns trajetos; para quem dirige, abre espaço para um público específico — ainda que limitado pelo tamanho atual dessa base.
No fim, a novidade revela menos sobre tecnologia e mais sobre comportamento: usuários querem escolher mais, mas o sistema ainda depende de quem está disponível na rua.

