No novo comercial da Pringles exibido durante o Super Bowl, Sabrina Carpenter assume um papel que mistura ironia, cultura pop e uma leitura bem-humorada dos dilemas amorosos contemporâneos. A peça parte de uma sensação comum — o cansaço diante de relacionamentos previsíveis — e transforma essa frustração em ponto de partida narrativo. Em vez de repetir o roteiro clássico da busca pelo par ideal, a campanha aposta no absurdo como comentário social: se nada funciona, por que não fabricar o namorado perfeito?
A virada criativa acontece quando o exagero deixa de ser apenas discurso e vira imagem. Sabrina constrói seu parceiro empilhando batatas Pringles, dando origem ao personagem apelidado de Pringleleo. A partir daí, o filme se entrega a uma sequência de cenas que parodiam romances idealizados, com encontros, jantares e momentos “perfeitos” que são, deliberadamente, artificiais. O humor surge justamente desse contraste entre a fantasia romântica e a materialidade improvável de um namorado feito de snacks.
O desfecho segue a lógica da sátira: o ideal não se sustenta. Assim como expectativas irreais costumam ruir na vida real, o romance exagerado entra em colapso, encerrando a narrativa sem moral explícita, mas com recado claro. Ao transformar um clichê de relacionamento em metáfora visual extrema, a Pringles usa o palco do Super Bowl não para vender promessas, mas para reforçar seu território no entretenimento leve, autoconsciente e alinhado ao humor pop — onde nem tudo precisa ser levado tão a sério, desde que faça sentido cultural.
