Entre intervalos de aula, filas de cantina e corredores cheios, um movimento tem se repetido em universidades de São Paulo desde o fim de março: marcas tentando ocupar, na prática, pequenos momentos do dia a dia dos estudantes. A mais recente investida envolve a Nissin, que colocou na rua uma ação itinerante com distribuição de amostras do Croc Choco em diferentes instituições.
A presença é direta e acontece dentro do fluxo normal dos campi. Promotores abordam alunos em circulação e apresentam o produto — um chocolate com flocos de milho — sem depender de mídia tradicional. A lógica é simples: transformar pausas rápidas entre aulas em oportunidades de experimentação, algo cada vez mais comum em estratégias voltadas ao público jovem.
Esse tipo de abordagem revela uma mudança mais ampla. Em vez de disputar atenção apenas nas redes sociais, empresas têm buscado contato físico em ambientes onde o público já está concentrado. Universidades entram nesse radar por combinarem alta circulação, rotina previsível e forte presença digital dos alunos, que costumam registrar experiências em tempo real.
Na prática, a ação também inclui elementos visuais pensados para fotos e interação, além de ativações com personagens ligados ao produto. Ainda assim, o foco não está na estrutura em si, mas no comportamento que ela tenta capturar: consumo rápido, decisão imediata e compartilhamento espontâneo.
A fala de Danielle Ximenes, gerente de marca da empresa, reforça o desafio do setor: “Queremos nos aproximar da rotina desse público”, afirmou, uma estratégia que reflete a necessidade de furar a bolha dos algoritmos digitais, cada vez mais caros e saturados.
Para quem circula por esses espaços, o impacto é imediato: mais abordagens, mais amostras e uma presença crescente de marcas fora das telas. Para o mercado, fica o sinal de que a disputa pela atenção da Geração Z está cada vez menos digital — e mais incorporada ao cotidiano.

