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Marcas estão largando o clique e voltando ao balcão de degustação

Degustações, ativações presenciais e experiências físicas voltam a ganhar força entre marcas que querem reconquistar consumidores fora das telas

Em: Portal G

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Durante anos, as marcas acreditaram que bastava perseguir o consumidor com anúncio em rede social, banner piscando e vídeo pulando na tela para vender qualquer coisa. Funcionou por um tempo. Agora, a lógica parece estar virando do avesso. Em vez de tentar convencer no feed, empresas estão voltando ao método mais antigo — e talvez mais eficiente — do varejo: colocar o produto na mão da pessoa.

As amostras, que pareciam coisa de supermercado dos anos 2000, reapareceram como uma arma forte de vendas nos Estados Unidos. E não é nostalgia. É reação direta ao desgaste da publicidade online, cada vez mais ignorada por consumidores cansados de propaganda o tempo inteiro.

O consumidor cansou de anúncio “perfeito”

O mercado percebeu uma mudança silenciosa nos últimos anos. As campanhas digitais ficaram mais caras, os cliques perderam força e boa parte do público simplesmente aprendeu a ignorar anúncios. A disputa por atenção virou um campo saturado.

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Nesse cenário, marcas começaram a recuperar uma estratégia que mexe com algo que banner nenhum consegue reproduzir direito: experiência física.

Experimentar um produto antes da compra voltou a ser visto como diferencial. Não importa se é um biscoito temático de Halloween, manteiga, castanhas ou lenços umedecidos. O contato direto cria uma sensação mais concreta do que qualquer publicidade feita por algoritmo.

Costco e Sam’s Club nunca abandonaram essa fórmula

Enquanto boa parte do varejo apostava quase tudo no digital, redes como Costco e Sam’s Club continuaram investindo pesado em degustações dentro das lojas. A cena clássica da bancada com funcionários oferecendo pequenos testes de produtos nunca desapareceu completamente por lá.

Agora, outras gigantes decidiram seguir o mesmo caminho.

A Walmart, por exemplo, anunciou planos para ampliar a distribuição de sampling em mais de mil unidades. A ideia é aumentar o contato direto entre consumidores e produtos, principalmente em categorias onde a experiência pode influenciar a compra imediatamente.

O movimento não acontece sozinho. A Wakefern Food, cooperativa de supermercados dos EUA, também passou a apostar em máquinas de brindes espalhadas por 95 lojas. O cliente escolhe a amostra na própria máquina, transformando o teste do produto numa experiência quase interativa.

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O varejo descobriu que tocar ainda vende mais que scrollar

Existe uma diferença importante entre ver um produto e experimentá-lo. E as marcas perceberam isso tarde.

No digital, quase tudo depende de promessa. Na degustação física, o convencimento acontece em segundos. O consumidor prova, sente cheiro, toca na embalagem e cria uma percepção imediata sobre aquilo.

É justamente essa barreira que as amostras quebram. Elas diminuem a insegurança da compra e aumentam a chance de repetição depois. Quando o produto agrada, a chance de fidelização cresce junto.

Por trás dessa retomada existe um detalhe curioso: depois de anos tentando digitalizar completamente o consumo, as empresas estão redescobrindo o básico do varejo tradicional. Menos anúncio invasivo. Mais experiência real.

E olhando para o crescimento desse tipo de ação nos supermercados, fica difícil acreditar que as sampling vão desaparecer de novo tão cedo. No fim das contas, talvez o consumidor nunca tenha deixado de gostar da sensação simples de experimentar algo antes de pagar — e as marcas finalmente entenderam isso outra vez.

Se essa tendência chegar com força ao Brasil, muita campanha digital pode acabar perdendo espaço para um simples corredor de supermercado lotado de degustação.

Rafha Costa
Rafha Costahttps://portalg.com.br
Rafha Costa é editor do Portal G e cobre entretenimento, cultura pop, campanhas de marca, ativações, experiências digitais e comportamento de consumo no Brasil.

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