No mês da Consciência Negra, Instituto Yduqs e Idomed lançaram um curso online gratuito de letramento étnico-racial. Além disso, o conteúdo foi desenvolvido pelo médico Fleury Johnson, fundador do Instituto DIS, com 40 horas que abordam autoconhecimento, racismo na prática clínica, estratégias de enfrentamento e transformação institucional.
O curso faz parte do programa Mediversidade, iniciado em 2024 para tornar a formação médica mais inclusiva. Na época, estudos mostraram que apenas 4,5% das ilustrações em literatura médica representam peles negras, evidenciando lacunas no ensino.
Consequentemente, a falta de diversidade se reflete na prática clínica, com mulheres negras enfrentando mais violência obstétrica e menor acesso a cuidados especializados. Por isso, Claudia Romano, presidente do Instituto Yduqs, destaca que a formação deve preparar profissionais conscientes e empáticos.
Mediversidade: promovendo diversidade na Medicina
Silvio Pessanha Neto, CEO do Idomed, reforça que o programa é um movimento contínuo. Além disso, ele se baseia em três pilares: Ensinar, Incluir e Mobilizar. Entre as ações estão a revisão da matriz curricular, com mudanças previstas em 70% das unidades até 2026; a criação de um fundo para pesquisas sobre diversidade; a ampliação de vagas afirmativas para docentes; e, por fim, a reserva de 10% das bolsas sociais para estudantes negros, indígenas e pessoas com deficiência.
Joyce da Silva, estudante de Medicina e bolsista, afirma que ocupar esse espaço é uma forma de resistência e representa abertura para futuras gerações. Além disso, o Mediversidade investe em manequins com tons de pele diversos, em pesquisas sobre equidade e em serviços assistenciais voltados a populações marcadas por fatores étnico-raciais.
Para a médica Amanda Machado, do Idomed, essas iniciativas são urgentes em um curso historicamente branco e elitista. Portanto, elas contribuem diretamente para tornar a formação médica mais justa e inclusiva.
O curso de letramento étnico-racial está disponível gratuitamente na página oficial do Mediversidade. Assim, além de oferecer conhecimento, ele provoca reflexão sobre a diversidade que a medicina brasileira ainda precisa reconhecer e respeitar.
