Em meio ao crescimento das discussões sobre violência de gênero no Brasil, um novo canal no WhatsApp começa a funcionar neste mês com um objetivo direto: explicar, orientar e responder dúvidas sobre situações de violência contra mulheres. A iniciativa faz parte de uma campanha lançada pelo Grupo Boticário para ampliar o acesso a informação prática sobre o tema.
Chamado “Precisamos Falar”, o canal reúne, ao longo de março, especialistas de diferentes áreas para esclarecer questões enviadas pelo público. Médicos, psicólogos e advogados participam respondendo dúvidas e explicando caminhos possíveis para quem precisa reconhecer ou enfrentar situações de violência.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Bloom Care, plataforma digital de saúde feminina fundada por mulheres e baseada em evidências científicas. A proposta é transformar o aplicativo de mensagens — uma das ferramentas mais usadas no país — em um ponto de acesso rápido a orientações confiáveis.
Ao final do mês, todo o material produzido será reunido em uma cartilha digital que ficará disponível no site do grupo.
Vergonha como barreira para buscar ajuda
A campanha também aborda um aspecto cultural que pode dificultar o enfrentamento da violência: a vergonha. A reflexão aparece no filme estrelado pela apresentadora Fernanda Lima, que questiona como muitas mulheres são ensinadas desde cedo a sentir constrangimento por temas ligados ao próprio corpo — como menstruação, envelhecimento ou mudanças físicas — enquanto a violência frequentemente permanece silenciada.
Segundo o Grupo Boticário, esse sentimento pode atrasar a busca por informação e ajuda, mantendo situações de agressão invisíveis por mais tempo.
O que dizem os dados
Para entender melhor esse cenário, a empresa realizou uma pesquisa com mais de mil mulheres brasileiras em parceria com a On The Go Consumer Insights. Os resultados indicam que o sentimento de vergonha ainda tem forte presença na experiência feminina:
- 9 em cada 10 mulheres afirmam já ter sentido vergonha do próprio corpo
- 60% dizem ter vergonha da própria idade
- 78,7% descrevem a vergonha como um “peso” em suas vidas
- mais de 70% afirmam carregar vergonhas que acreditam não deveriam existir
- 73,5% relatam ter aprendido a conviver com desconfortos sem explicação ao longo da vida
Informação como ferramenta de prevenção
A campanha integra as ações da marca para o Dia Internacional da Mulher e tenta ampliar o debate público sobre fatores culturais que ainda dificultam o enfrentamento da violência contra mulheres.
Na prática, a estratégia aposta em algo simples: transformar informação acessível — em um canal cotidiano como o WhatsApp — em uma ferramenta para reconhecer sinais de abuso, entender direitos e saber onde buscar ajuda. Para muitas pessoas, esse pode ser o primeiro passo para quebrar o silêncio em torno do tema.
