O preço do gás de cozinha se tornou, ao longo dos anos, um verdadeiro termômetro da insegurança alimentar no Brasil. Quando o botijão pesa mais no orçamento do que o próprio cilindro, o fogão praticamente deixa de cumprir sua função.
Nesse cenário, o governo federal lançou o programa “Gás do Povo”, que busca garantir o básico e evitar que preparar uma refeição continue sendo um desafio diário. Além disso, o programa já funciona e deve alcançar milhões de lares nos primeiros meses de 2025.
Primeiros testes já em curso
Enquanto a população aguardava detalhes, o programa começou de maneira gradual. Dez capitais iniciaram a fase de testes e passaram a atender famílias que não recebiam o antigo Auxílio Gás. Entre elas estão Teresina, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife, Belém, Belo Horizonte, Goiânia, Natal e Porto Alegre. Essa etapa inicial permite ajustes operacionais, já que as experiências nessas cidades orientam a expansão nacional.
Além disso, o governo pretende ampliar o programa para todas as capitais já em janeiro. Dessa forma, o piloto ganha escala rapidamente.
Quem pode receber?
As regras do benefício seguem critérios simples e diretos. Para retirar o botijão de 13 kg, a família deve cumprir os seguintes requisitos:
- ter pelo menos duas pessoas no núcleo familiar;
- manter o CadÚnico atualizado;
- possuir renda per capita de até meio salário mínimo;
- informar o CPF ativo do responsável familiar.
A partir de fevereiro, o governo fará a migração automática das famílias que já recebem o Auxílio Gás e que atendem aos critérios. Com isso, ninguém precisa enfrentar filas ou realizar novos cadastros.
O site oficial gasdopovo.mds.gov.br confirma rapidamente quem tem direito ao benefício.
Um país inteiro na rota
Evoluindo conforme o cronograma, o programa deve alcançar o Brasil inteiro em março. A estimativa aponta que mais de 14 milhões de famílias receberão o benefício, o que ultrapassa 50 milhões de brasileiros. Esse alcance triplica o volume do auxílio anterior e reforça o esforço para aliviar o peso do gás no orçamento doméstico.
Com essa expansão, o programa avança no combate à desigualdade energética que atinge as cozinhas mais vulneráveis.
Da tela ao fogão: como retirar o botijão
O processo de retirada busca simplificar a vida das famílias. Para garantir o botijão cheio, o beneficiário deve seguir alguns passos:
- Escolher uma revenda credenciada usando o aplicativo Meu Social – Gás do Povo;
- Apresentar um método de validação: cartão do Bolsa Família com chip, cartão de débito da Caixa ou o código enviado por SMS ao responsável familiar.
Após a validação, o beneficiário retira o botijão normalmente. O sistema funciona quase como uma “compra zero”, já que o único esforço envolve ir até o ponto de troca.
Opinião: passo social ou ajuste necessário?
O “Gás do Povo” surge com o propósito de devolver segurança doméstica a milhões de brasileiros que ainda cozinham à lenha ou deixam de preparar refeições por falta de gás. Embora o caráter emergencial do programa seja evidente, ele também simboliza a tentativa de garantir um item básico e essencial.
O grande desafio, porém, vai além da entrega dos botijões: o governo precisa manter uma logística capaz de funcionar de norte a sul. Caso o programa cumpra as metas anunciadas, ele deixa de ser apenas a substituição do Auxílio Gás e se torna uma política pública estruturante.
Por fim, o programa reforça uma mensagem simples e urgente: cozinhar não deve ser luxo.
