Em vez de páginas de jornal ou feeds digitais, o cartum brasileiro ganha agora um lugar físico para encarar o público de frente — literalmente. A partir de 28 de abril, a Galeria de Fotos do Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, recebe a exposição “Cartunistas”, que reúne 144 artistas retratados em ensaios fotográficos.
A proposta foge do óbvio: não são as tirinhas que estão nas paredes, mas os próprios autores. Nos retratos, muitos encaram diretamente a câmera, criando um efeito curioso de troca de olhares com quem visita. A ideia, segundo o fotógrafo Paulo Vitale, foi transformar cada imagem em uma espécie de “portal” para o universo criativo de cada cartunista.
Com entrada gratuita e visitação até 20 de setembro, a mostra funciona de terça a domingo, das 10h às 20h, sem necessidade de ingresso. Para quem circula pela Paulista, vira uma opção acessível de pausa cultural no meio da rotina.
O recorte mistura nomes históricos e figuras mais recentes. Estão lá criadores amplamente reconhecidos, como Mauricio de Sousa, Ziraldo, Jaguar, Angeli e Laerte, ao lado de artistas que cresceram nas redes sociais, caso de Helô D’Angelo e Carlos Ruas. Esse encontro de gerações ajuda a contar, de forma visual, como o humor gráfico brasileiro mudou de linguagem sem perder relevância.
A edição em São Paulo traz ainda mais de 20 imagens inéditas e inclui vídeos com bastidores dos ensaios, o que amplia a experiência para além da contemplação estática. Há também uma agenda paralela com oficinas, palestras e apresentações ao longo dos meses, incluindo atividades voltadas a educação, como o uso de quadrinhos em sala de aula.
A exposição já passou por cidades do interior paulista e soma mais de 40 mil visitantes, um número que indica fôlego para iniciativas culturais gratuitas em espaços urbanos de grande circulação.
No fundo, a mostra funciona quase como um lembrete silencioso: por trás de personagens conhecidos e charges que viralizam, existem autores que raramente aparecem. Aqui, eles deixam de ser assinatura no canto do desenho e passam a ocupar o centro da cena.
