O clássico Alice no País das Maravilhas ganhou uma interpretação diferente em São Paulo. Em vez de reproduzir os cenários conhecidos dos livros e filmes, uma exposição no Farol Santander utiliza luzes, espelhos, projeções e instalações de grande escala para transportar o público a um universo inspirado na obra de Lewis Carroll. A experiência está aberta à visitação até 31 de janeiro de 2027.
Batizada de “Reflexos (in)Versos no País das Maravilhas”, a mostra ocupa os 19º e 20º andares do edifício histórico, no Centro da capital. A proposta da artista ítalo-brasileira Vera Uberti é transformar situações vividas por Alice em experiências que podem ser atravessadas pelo visitante, explorando temas como passagem do tempo, mudanças e identidade.
A exposição estreou em São Paulo em 28 de agosto de 2026, depois de passar por versões apresentadas no Lago di Garda, na Itália, e no Farol Santander Porto Alegre. Para a temporada paulista, recebeu uma montagem inédita, desenvolvida especialmente para a arquitetura do prédio. Escadarias, corredores e diferenças de altura deixam de ser apenas espaços de circulação e passam a integrar as obras.

Entre as instalações está “Vertigo”, que transforma a escada entre os dois andares em uma experiência de luz e profundidade, inspirada na queda de Alice pelo buraco do coelho. Já “I AM LATE” recupera a pressa do Coelho Branco em um corredor escuro iluminado por luz rosa, com frases que se repetem pelo caminho.
O conhecido episódio em que Alice muda de tamanho aparece em “Metamorfose”, uma estrutura luminosa de 4,25 metros por 12,3 metros que altera a percepção de escala. O “Jardim das Rosas” utiliza a multiplicação de elementos visuais para reinterpretar outro cenário da história.

Há espaço também para referências ao Chapeleiro Maluco e ao Gato de Cheshire. Em “PSYCHEDELIC TEA”, uma instalação de 16,48 m², até dez pessoas podem participar simultaneamente de uma experiência inspirada na cena do chá. Em “O Gato”, uma figura luminosa suspensa remete ao personagem conhecido por suas aparições misteriosas e conversas enigmáticas.
A relação entre literatura e arte digital ganha outra dimensão com a participação da artista suíça Pipilotti Rist. Sua videoinstalação “Open My Glade (2000–2017)” apresenta imagens de um corpo que parece pressionar os limites de uma tela de 3,2 por 2,4 metros, criando um jogo visual entre o tamanho da projeção e a posição do espectador. O percurso também inclui uma trilha sonora original desenvolvida pelo italiano Furio Valitutti.
A escolha de Alice dialoga com um movimento cultural que transforma histórias conhecidas em experiências presenciais. Publicado em 1865, o livro de Lewis Carroll continua sendo reinterpretado em diferentes linguagens, mas a montagem do Farol Santander segue um caminho menos literal: utiliza os símbolos da narrativa como ponto de partida para obras contemporâneas, sem depender da reprodução dos personagens como aparecem nas adaptações cinematográficas.

Esse formato também permite diferentes leituras. Crianças podem reconhecer elementos da aventura, enquanto adultos encontram referências à pressa, às escolhas e às mudanças do cotidiano. A classificação indicativa é livre, e não é necessário conhecer toda a história original para acompanhar o percurso.
Para quem pretende visitar, os ingressos custam R$ 45 (inteira) e R$ 22,50 (meia-entrada). Clientes Santander têm 10% de desconto na compra com cartão do banco, benefício válido para até oito ingressos. A entrada permite acessar os andares do Farol Santander abertos ao público, ampliando o passeio para além da exposição.
A mostra permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027, de terça-feira a domingo, das 9h às 20h, com entrada permitida até as 19h. O Farol Santander fica na Rua João Brícola, 24, no Centro Histórico de São Paulo, próximo à estação São Bento do metrô.
Ingressos e informações sobre a visitação estão disponíveis no site oficial do Farol Santander.

