O domingo de pré-Carnaval do bloco Skol em São Paulo terminou com uma operação emergencial de controle de público na região central da cidade. A circulação acima do previsto na Rua da Consolação levou o poder público a intervir para conter riscos associados à superlotação durante um desfile de grande apelo popular.
A situação se consolidou ao longo da tarde, quando o volume de pessoas passou a comprometer a mobilidade no circuito, exigindo bloqueios de acesso, ajustes no trajeto e atendimento médico a foliões que passaram mal.
Atração internacional impulsiona concentração fora da curva
O pico de lotação ocorreu durante a passagem do bloco Skol, que tinha entre seus principais destaques o DJ internacional Calvin Harris. A presença do artista, com forte alcance global, ampliou a atratividade do evento e contribuiu para uma concentração de público superior à capacidade operacional prevista para a Consolação.
A combinação entre uma atração internacional e um espaço urbano limitado resultou em pontos de compressão ao longo do percurso, dificultando a circulação e elevando o risco para quem acompanhava o desfile

Fluxo travado e interrupção pontual do trio
Com a densidade elevada, o avanço do trio elétrico foi interrompido temporariamente. Durante o período mais crítico, uma foliã precisou de atendimento médico, o que levou à pausa momentânea da apresentação. Do alto do carro de som, o cantor Felipe Amorim chegou a pedir apoio para o socorro.
Imagens exibidas pela TV Globo e compartilhadas nas redes sociais mostraram grades sendo derrubadas, ambulantes perdendo mercadorias e foliões buscando rotas improvisadas para sair da área de maior pressão.
Protocolo de multidões entra em ação
Segundo a Prefeitura de São Paulo, às 14h55 foi acionado o plano de contingência para eventos de grande porte. A estratégia passou a priorizar a redução imediata da densidade humana no local.
Entre as medidas adotadas estiveram o bloqueio da entrada de novos foliões no circuito, a abertura de vias transversais da Consolação como rotas de escape e a retirada estratégica de gradis para ampliar a mobilidade. A Guarda Civil Metropolitana assumiu a condução do trio elétrico para garantir a continuidade do desfile sem novas interrupções prolongadas.
Postos médicos permaneceram em funcionamento durante todo o período, atendendo foliões que passaram mal. Não houve registro de ocorrências graves.
Monitoramento integrado e reforço de segurança

A Polícia Militar informou que reforçou o efetivo na região e coordenou a ocorrência a partir da Sala de Gerenciamento de Incidentes do COPOM, com monitoramento em tempo real por helicópteros e drones. A operação contou com integração entre PM, GCM, CET, Metrô e Prefeitura, permitindo ajustes rápidos no perímetro do evento.
O Corpo de Bombeiros afirmou que não foi acionado diretamente, já que os atendimentos ficaram sob responsabilidade das equipes civis contratadas.
Público recorde evidencia limites da infraestrutura
De acordo com a administração municipal, o bloco registrou público recorde naquele trecho da Consolação, o que pressionou a infraestrutura da região central. A abertura de áreas de escape e a flexibilização das barreiras físicas foram apontadas como decisivas para evitar um cenário mais grave.
O episódio se soma a outros registrados no pré-Carnaval paulistano. No sábado, a Polícia Militar estimou em cerca de 1,2 milhão o público que ocupou o entorno do Parque Ibirapuera para acompanhar o bloco de Ivete Sangalo. Na altura da Assembleia Legislativa, o deslocamento do trio foi interrompido temporariamente após foliões passarem mal em meio à superlotação e ao calor intenso.
Quando o tamanho do evento redefine o risco
Os casos recentes reforçam um desafio crescente para a cidade. Blocos com grande apelo de marca e atrações de alcance internacional ampliam o público, mas também elevam o grau de complexidade da operação urbana.
Nesses cenários, a experiência do público deixa de depender apenas do espetáculo e passa a estar diretamente ligada à capacidade de planejamento, monitoramento e resposta rápida do poder público. Quando a multidão ultrapassa os limites do espaço, o Carnaval deixa de ser apenas festa — e se transforma em um teste de gestão da cidade.
