O som das festas populares de Belém vai dividir espaço com o funk, o pagode e a música eletrônica em São Paulo. O BATEKOO Festival 2026, marcado para 14 de novembro, terá um palco assinado pelo Club Social e dedicado à Aparelhagem Crocodilo, uma das estruturas sonoras mais tradicionais do Pará. A novidade coloca uma manifestação cultural da Amazônia no centro de um evento que espera receber cerca de 10 mil pessoas.
A escolha do Crocodilo tem um significado que vai além da programação musical. Criada na década de 1980, a aparelhagem faz parte de uma tradição paraense em que enormes sistemas de som, iluminação e efeitos visuais se tornam protagonistas das festas. É uma cultura que cresceu nas periferias de Belém e ajudou a construir a identidade de ritmos como o tecnobrega, hoje reconhecidos também fora da região Norte.
A presença da aparelhagem em São Paulo, porém, não é exatamente uma estreia na cidade. O Crocodilo participou da Virada Cultural de 2025 e foi anunciado como primeira atração do BATEKOO Festival em agosto deste ano. O que muda agora é a criação do Palco Crocodilo by Club Social, que transforma a participação da marca em um espaço próprio dentro do evento. Segundo a organização, esta será apenas a segunda apresentação da aparelhagem na capital paulista.
A programação do palco reúne Clementaum, Kiddy Smile, MikeQ e RD da DZ7. Os artistas representam diferentes caminhos da música de pista, do funk brasileiro à cultura ballroom, movimento ligado à dança, à moda e à expressão LGBTQIA+. O encontro dessas referências com a estrutura paraense é um dos pontos mais curiosos da edição: em vez de apresentar os estilos separadamente, o festival aposta na convivência de cenas que nasceram em contextos distintos, mas compartilham uma forte relação com a cultura periférica.
O BATEKOO Festival também terá shows de Pixote, Sango, D’Leesa e Bia Soull. A programação anunciada reúne 30 atrações, distribuídas em dois palcos, com 12 horas de atividades. O evento nasceu em Salvador, em 2014, como uma festa voltada à juventude negra e LGBTQIA+, e se expandiu para uma plataforma cultural que conecta música, moda, comportamento e formação artística.
A edição de 2026 trabalha com o conceito de Améfricanidade, aproximando manifestações culturais negras de diferentes regiões do Brasil e da diáspora. Nesse contexto, a chegada do Crocodilo também chama atenção para uma questão recorrente no circuito de festivais: a pouca presença das aparelhagens amazônicas em grandes programações nacionais, apesar de sua importância histórica e popularidade no Pará.
Para o Club Social, marca da Mondelēz Brasil, a iniciativa representa uma mudança de estratégia. Depois de participar de ativações anteriores da BATEKOO, a empresa passa a associar seu nome a um palco inteiro. É uma forma de presença cada vez mais explorada no entretenimento, em que marcas procuram fazer parte das experiências culturais do público, e não apenas ocupar espaços de publicidade. A parceria também terá continuidade na edição de Salvador, ainda sem detalhes divulgados sobre a participação da marca.
O festival acontece no sábado, 14 de novembro, das 18h às 6h do domingo, com classificação indicativa de 18 anos. O Estádio do Canindé, na zona norte de São Paulo, aparece como local do evento em divulgações recentes, embora a página oficial de vendas ainda não apresente um endereço completo. Os ingressos são comercializados pela plataforma Shotgun, com valores anunciados a partir de R$ 100, sujeitos à disponibilidade de lotes.
A organização também prevê shows, performances e atividades formativas ao longo da edição. Para quem conhece as aparelhagens apenas pelos vídeos das festas paraenses, a apresentação do Crocodilo será uma oportunidade de ver de perto uma tradição musical que raramente ocupa os palcos dos grandes festivais paulistanos.

