A partir de 2026, alunos e professores da rede estadual de São Paulo vão incorporar uma ferramenta típica do mercado criativo ao dia a dia escolar — e sem custo direto para o orçamento público. Um acordo firmado entre a Secretaria da Educação paulista e a empresa australiana Canva prevê acesso integral à versão educacional da plataforma por quatro anos, alcançando cerca de 3 milhões de estudantes e mais de 200 mil docentes.
Na prática, o movimento antecipa uma tendência: a escola pública se aproximando de ferramentas já usadas fora dela, especialmente em áreas como comunicação digital, design e produção de conteúdo. O acesso será liberado via e-mail institucional e integrado ao ambiente digital já utilizado pela rede, o que reduz barreiras técnicas e acelera a adoção.
Embora gratuito para o Estado, o contrato tem um valor estimado relevante — cerca de R$ 5,4 bilhões — que seria o custo caso o serviço fosse adquirido. A formalização ocorreu durante a Bett UK, evento internacional de educação realizado em Londres, onde representantes do governo paulista e da empresa alinharam a parceria.
No cotidiano escolar, a mudança tende a impactar menos pela ferramenta em si e mais pelo tipo de habilidade que passa a ser estimulada. Com recursos que vão de apresentações a vídeos e infográficos, estudantes ganham contato direto com linguagens visuais e práticas digitais cada vez mais exigidas fora da escola. Para professores, o uso pode simplificar a produção de material didático e diversificar estratégias de aula, com potencial de aumentar o engajamento.
Há também um efeito indireto: iniciativas desse tipo costumam funcionar como porta de entrada para competências ligadas à economia criativa e ao trabalho digital, áreas em expansão no Brasil. Ao colocar esse repertório dentro da escola pública, o projeto amplia o acesso a ferramentas que antes ficavam restritas a contextos privados ou profissionais, reforçando o papel da educação como ponte para oportunidades futuras.

