Enquanto parte do mercado encara o Carnaval como uma vitrine sazonal, há marcas que tratam a festa como plataforma estratégica de longo prazo. Em 2026, O Boticário transforma a maior celebração popular do país em um laboratório de presença nacional, ocupando diferentes territórios da folia — da rua ao camarote — com uma operação que combina branding, relacionamento e experimentação de produtos.
Carnaval como ecossistema de marca
Não se trata apenas de patrocínio pontual. A atuação da empresa se espalha por cinco capitais-chave do calendário carnavalesco — Salvador, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo — em um total de 15 ativações. O desenho dessa presença revela uma leitura clara do momento: o Carnaval deixou de ser um único evento e passou a funcionar como um ecossistema de experiências simultâneas, com públicos, formatos e expectativas distintas.
Blocos tradicionais como Galo da Madrugada, Bloco Quando Come Se Lambuza e Bloco do Léo Santana entram na estratégia ao lado de eventos fechados de alto ticket, como Camarote Salvador, Baile da Arara, Camarote Bar Brahma e OBA Festival. A amplitude não é casual. Ela dialoga com o discurso institucional de que a marca está presente em 99% dos lares brasileiros — dado frequentemente citado pela companhia para sustentar seu posicionamento de capilaridade nacional.

Segundo Jacqueline Tobaru, Diretora de Marketing Regional do Grupo Boticário, a presença no Carnaval já se consolidou como tradição para a empresa, justamente por permitir uma conexão direta com as diferentes identidades culturais que atravessam a festa.
Do manifesto à prática
Sob o conceito “A Beleza do Nosso Carnaval”, a campanha de 2026 aposta na pluralidade cultural como eixo criativo. O filme-manifesto reúne Erika Moura, Valéria Valenssa — que retornam como Globelezas na vinheta de Carnaval da TV Globo em 2026 — e Juliana Paiva. No audiovisual, as três protagonizam uma coreografia inspirada nos ritmos que marcam a festa em diferentes regiões do país.
A campanha é assinada pela LePub São Paulo, com direção de Igor Selingarde. A escolha de nomes ligados ao imaginário do Carnaval reforça o elo entre memória afetiva e atualização estética, movimento que a agência descreve como uma forma de celebrar a cultura brasileira de maneira contemporânea.
Estratégias distintas para públicos distintos
Na prática, a marca adapta a abordagem conforme o território.
Nos blocos de rua, o foco está na funcionalidade e na experimentação. A distribuição de brindes e o contato direto com produtos como body splash, body spray, maquiagem e proteção solar respondem a uma necessidade objetiva do folião: praticidade, resistência e cuidado durante horas de exposição ao sol e ao calor.

Já nos camarotes e festas exclusivas, a narrativa muda. A perfumaria premium assume protagonismo, com destaque para o lançamento das fragrâncias Malbec Black Legend e a Tríade de Her Code. No Camarote Bar Brahma, há serviços de maquiagem com produtos Make B.; no Camarote Salvador, um espaço de relaxamento oferece massagens com a linha Nativa SPA.
Essa segmentação revela um entendimento claro de jornada: o mesmo consumidor pode estar na rua durante o dia e em um evento fechado à noite — e a marca acompanha esse deslocamento.
Varejo, fidelidade e experiência
Outro ponto estratégico está na integração com o programa de fidelidade BeautyBox. Integrantes selecionados — os chamados Boti Lovers — terão acesso a experiências em eventos como Camarote Bar Brahma, Camarote Salvador e Baile da Arara.
A escolha acontece em lojas físicas selecionadas, conectando varejo e entretenimento. Ao levar a experiência da festa para dentro da jornada de compra, a empresa amplia o ciclo de relacionamento e transforma o Carnaval em recompensa tangível para clientes engajados.
O que essa movimentação sinaliza
Em um cenário de alta concorrência no setor de beleza, ocupar o Carnaval de forma transversal é também uma estratégia de defesa de território. A festa reúne diversidade, expressão individual e visibilidade midiática — três elementos centrais para marcas que operam no campo da identidade e da autoestima.
Ao distribuir sua presença entre blocos populares e ambientes premium, O Boticário constrói uma narrativa de abrangência: da multidão ao lounge exclusivo, do protetor solar à perfumaria de lançamento. Mais do que associar sua imagem à folia, a marca se posiciona como participante ativa das experiências que marcam o calendário cultural brasileiro.
No fim, o Carnaval funciona como espelho ampliado do país — e, para empresas com ambição nacional, estar fora dele já não é uma opção estratégica.
