O AliExpress acaba de ganhar espaço nos vídeos do YouTube de uma maneira diferente. A partir de outubro de 2026, criadores brasileiros elegíveis poderão recomendar produtos do marketplace diretamente em seus conteúdos e receber comissões quando essas indicações resultarem em vendas. A novidade chega em um momento em que vídeos de compras, avaliações e demonstrações de produtos disputam cada vez mais a atenção do público.
Anunciada em 20 de outubro, a parceria integra o AliExpress ao YouTube Shopping, ferramenta que transforma vídeos em vitrines interativas. Um criador que publica um unboxing de eletrônicos, por exemplo, poderá identificar o produto apresentado na tela e permitir que o espectador acesse a página de compra sem precisar procurar o item separadamente.
A novidade não se limita aos vídeos tradicionais. Shorts e transmissões ao vivo também poderão receber marcações de produtos, incluindo eletrônicos, artigos esportivos, itens de decoração e acessórios para o dia a dia. O catálogo contempla ainda o Marcas+, espaço do AliExpress dedicado a marcas nacionais e internacionais.
O acordo acompanha uma mudança no comportamento de quem utiliza o YouTube. A plataforma deixou de ser apenas um lugar para assistir a tutoriais ou acompanhar influenciadores e passou a participar das decisões de consumo. Em junho de 2026, mais de 90 milhões de usuários conectados pesquisaram assuntos relacionados a compras no YouTube no Brasil, enquanto o tempo de exibição desse tipo de conteúdo cresceu mais de 120% em um ano.
A relação entre vídeos e compras já vinha sendo explorada no país. O YouTube Shopping chegou ao mercado brasileiro anteriormente com a participação de marketplaces como Shopee e Mercado Livre. Em setembro de 2026, o YouTube também anunciou a expansão das marcações de produtos da Amazon para criadores brasileiros. A entrada do AliExpress amplia essa disputa por recomendações dentro da plataforma.
O interesse das empresas tem uma explicação: quem procura uma avaliação de celular, acompanha uma rotina de beleza ou assiste a um vídeo sobre decoração muitas vezes já está considerando uma compra. Para os marketplaces, aparecer nesse momento pode ser mais relevante do que disputar a atenção do consumidor depois, quando ele já escolheu o produto.
O próprio YouTube informou, em setembro, que as marcações de produtos em vídeos geram mais que o dobro de cliques em comparação com links tradicionais nas descrições. O dado ajuda a entender por que a plataforma está aproximando criadores e varejistas, embora não signifique que toda recomendação resulte em venda.
A parceria com o AliExpress começou na Coreia do Sul, em março de 2026, e agora alcança Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Outros países deverão receber a integração gradualmente, conforme a expansão do programa de afiliados.
Para os criadores brasileiros, a principal mudança está na possibilidade de escolher produtos do AliExpress dentro do próprio YouTube Studio, sem precisar depender exclusivamente de links externos. A plataforma também permite acompanhar o desempenho das recomendações e consultar as comissões oferecidas por cada produto.
O acesso, entretanto, depende da elegibilidade do canal. É necessário participar do Programa de Parcerias do YouTube, cumprir os requisitos de inscritos e atender às políticas do YouTube Shopping. Canais musicais vinculados a artistas e conteúdos direcionados ao público infantil estão entre as modalidades que não se qualificam para o programa.
As comissões variam conforme os produtos e as ofertas disponíveis. Os valores podem ser consultados pelos participantes antes da seleção dos itens, e os pagamentos são realizados pelo AdSense para YouTube, geralmente entre 60 e 120 dias após a compra, considerando possíveis devoluções.
Quem já produz conteúdo e deseja conferir a novidade pode acessar o YouTube Studio, entrar na seção Ganhos e verificar se o programa de afiliados do YouTube Shopping está disponível para seu canal. A parceria não tem prazo final de adesão anunciado.

