O álbum da Copa, aquele ritual quase obrigatório a cada quatro anos, pode não ser mais o mesmo. Não por falta de interesse do público, mas porque algumas das seleções mais valiosas do futebol mundial estão trocando de casa e isso mexe direto com o coração do produto.
Segundo o The New York Times, a Panini deixou de ter exclusividade sobre Brasil, Alemanha, Itália e Inglaterra. Esses direitos passam gradualmente para a Topps, empresa controlada pelo grupo Fanatics, que agora poderá explorar oficialmente escudos, uniformes, nomes e toda a identidade visual dessas seleções em figurinhas e cards.
Na prática, a mudança não acontece de uma vez só. O Brasil entra nesse novo cenário a partir de 2027. Alemanha e Inglaterra migram em 2031, enquanto a Itália completa a transição em 2035. É um movimento em câmera lenta, mas com impacto acumulativo, daqueles que vão redesenhando o mercado sem fazer muito barulho no começo.
O ponto sensível está no produto mais icônico da Panini: o álbum da Copa do Mundo. Ele não é só uma coleção, é uma espécie de memória coletiva do futebol. E boa parte do seu valor vem justamente das seleções mais vitoriosas. O Brasil, por exemplo, é o único país presente em todas as edições do Mundial e soma cinco títulos. Alemanha e Itália têm quatro cada, enquanto a Inglaterra já levantou a taça uma vez. Tirar ou limitar esses símbolos pode esfriar o apelo global do álbum.
Ainda assim, não é um “game over” imediato. A Panini continua podendo negociar direitos individuais de jogadores e usar soluções alternativas, como já acontece em jogos de futebol que não têm todas as licenças oficiais. Funciona, mas não entrega o mesmo peso simbólico.
Nos bastidores, o que está em jogo é maior do que figurinhas: é o controle de ativos que geram bilhões em produtos licenciados. A entrada mais agressiva da Topps/Fanatics indica que o mercado de colecionáveis esportivos está longe de ser estático, ele está virando um tabuleiro competitivo, onde tradição já não garante permanência.
Para o público, a curiosidade é inevitável: como será abrir um pacote no futuro e não encontrar, por exemplo, o escudo oficial do Brasil? Pode parecer detalhe, mas é justamente esse tipo de detalhe que transforma um álbum em fenômeno cultural.
No fim, a pergunta que fica não é só sobre quem vence essa disputa comercial, mas sobre como essa mudança vai afetar a experiência de quem cresce trocando figurinhas no recreio ou completando páginas com ansiedade quase ritual. Porque, nesse jogo, o valor não está apenas no papel, está na memória que ele carrega.
