O Habib’s passou a oferecer refil em todas as suas unidades, testando até onde o consumidor brasileiro valoriza o consumo sem limite — conceito comum em outros países, mas ainda em consolidação no mercado local.
Mais do que uma mudança no cardápio, a estratégia altera a dinâmica de decisão dentro do restaurante: em vez de calcular consumo por unidade, os clientes passam a considerar aproveitar mais dentro de um mesmo modelo.
Esse tipo de abordagem tende a aumentar o tempo de permanência nas lojas e a percepção de custo-benefício, mesmo quando o consumo real não cresce na mesma proporção. É um efeito mais psicológico do que quantitativo, já explorado por redes internacionais de fast-food.
No Brasil, o comportamento do consumidor ainda é híbrido: parte prefere controle total do gasto, enquanto outra parcela responde bem a ofertas sem limites. A estratégia do refil em escala nacional busca atingir esse segundo grupo sem modificar o apelo tradicional da rede.
A comunicação da mudança incluiu o retorno do Gênio do Habib’s, personagem clássico da marca, que facilita a aceitação da alteração operacional ao ativar a memória do público em vez de apresentar um conceito totalmente novo.
Segundo Bruna Saraiva, diretora de Marketing e Estratégia do grupo, a inclusão do refil representa uma evolução na experiência do cliente, que também pode ser vista como reposicionamento competitivo em um cenário em que conveniência e percepção de vantagem pesam tanto quanto preço.
O efeito para o consumidor varia: quem consome mais tende a perceber maior benefício, enquanto perfis moderados podem não notar diferença significativa. O ponto central é oferecer sensação de liberdade dentro de um modelo fechado.
De forma mais ampla, a decisão indica que redes de alimentação estão deixando de competir apenas por preço e ampliando a disputa por percepção de valor, em que “ilimitado” se relaciona mais à experiência do consumidor do que à quantidade consumida.
Ver essa foto no Instagram
