O que está em jogo não é só refrigerante. Ao liberar refil em todas as unidades do país, o Habib’s passa a testar, na prática, até onde o consumidor brasileiro valoriza a ideia de consumo sem limite — um conceito comum lá fora, mas ainda em consolidação no mercado local.
A mudança já chegou às lojas: o rodízio de Bib’sfihas agora inclui bebida liberada a partir de R$ 39,90, enquanto o refil avulso custa R$ 16,90. Mais do que um ajuste de cardápio, o movimento altera a dinâmica de decisão dentro do restaurante. Sai o cálculo por unidade, entra a lógica de “aproveitar mais pelo mesmo preço”.
Esse tipo de estratégia costuma ter dois efeitos diretos: aumentar o tempo de permanência nas lojas e elevar a percepção de custo-benefício — mesmo quando o consumo real não cresce na mesma proporção. É um jogo mais psicológico do que quantitativo, já bastante explorado por redes internacionais de fast-food.
No Brasil, porém, o comportamento ainda é híbrido. Parte dos consumidores prefere controle total do gasto, enquanto outra parcela responde bem a ofertas “all inclusive”. Ao apostar no refil em escala nacional, o Habib’s tenta capturar esse segundo grupo sem abandonar o apelo tradicional de preço acessível.
A comunicação da novidade veio acompanhada do retorno do Gênio do Habib’s, personagem clássico da marca. Aqui, o movimento é menos sobre inovação e mais sobre reconhecimento: usar um símbolo já conhecido para facilitar a aceitação de uma mudança operacional. Em vez de educar o público do zero, a marca ativa memória.
Segundo Bruna Saraiva, diretora de Marketing e Estratégia do grupo, a inclusão do refil no rodízio representa uma evolução da experiência oferecida ao cliente. Na prática, essa “evolução” pode ser lida como reposicionamento competitivo — especialmente em um cenário onde conveniência e sensação de vantagem pesam tanto quanto preço absoluto.
Para o consumidor, a utilidade é direta: quem costuma pedir mais de uma bebida tende a sair ganhando com o refil. Já perfis mais moderados talvez não vejam diferença relevante. Essa escolha individual, aliás, é o centro da estratégia — dar a impressão de liberdade, mesmo dentro de um modelo fechado.
No pano de fundo, a decisão sinaliza algo maior: redes de alimentação estão deixando de competir só por preço e ampliando a disputa por percepção de valor. E, nesse contexto, “ilimitado” pode ser menos sobre quantidade e mais sobre como o cliente se sente ao consumir.
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