Em meio a um setor de entretenimento em transformação e maior cobrança por resultados, a The Walt Disney Company deve cortar mais de mil postos de trabalho nas próximas semanas, com foco principal na área de marketing recentemente unificada, segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal. A medida acontece em um contexto mais amplo de reestruturação que já eliminou mais de 8 mil vagas desde 2022, quando o ex-CEO Bob Iger retornou ao comando e iniciou um ajuste profundo na operação.
Agora, sob a gestão de Josh D’Amaro, a empresa tenta acelerar a integração entre divisões internas e aumentar eficiência, enquanto investidores pressionam por crescimento mais consistente. O quadro geral mostra uma companhia com cerca de 231 mil funcionários no fim do ano fiscal de 2025, mas ainda concentrada majoritariamente em experiências como parques e cruzeiros, que seguem como motores relevantes do negócio.
O movimento não é isolado: estúdios como Sony, Paramount e Warner Bros. Discovery também vêm reduzindo equipes diante do impacto estrutural do streaming, que alterou margens, reduziu receitas tradicionais de TV e afetou bilheterias. Nesse cenário, até possíveis consolidações no setor, como a aquisição da Warner pela Paramount, entram no radar como fator adicional de incerteza.
No mercado, a leitura é de ajuste contínuo. As ações da Disney acumulam queda de cerca de 6% em 12 meses, com valor de mercado próximo de US$ 176,8 bilhões. Parte dessa pressão também foi impulsionada por campanhas de investidores ativistas, como a de Nelson Peltz, que cobraram mudanças mais rápidas na estrutura e governança da companhia. No fundo, o que se observa é uma indústria tentando se reorganizar enquanto busca equilíbrio entre corte de custos e a necessidade de voltar a crescer em um ambiente mais fragmentado e competitivo.
