Criar um perfume com aromas da natureza, assistir a um espetáculo de samba ou discutir o uso da inteligência artificial na música. Essas experiências fazem parte da programação de novembro de 2026 da Casa Museu Ema Klabin, no Jardim Europa, em São Paulo. A agenda reúne atividades gratuitas e encontros com ingressos a R$ 10, aproximando diferentes formas de criação artística em um espaço conhecido por seu acervo histórico.
O encontro entre as Pastoras do Rosário e a cantora Fabiana Cozza, marcado para 21 de novembro, às 15h, é um dos destaques. A apresentação celebra o samba e as tradições afro-brasileiras, relacionando música e memória em um espetáculo que também marca o lançamento do oitavo volume dos Cadernos da Casa Museu Ema Klabin.

Criado em 2017, na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França, na zona leste paulistana, o grupo Pastoras do Rosário mantém uma ligação com manifestações culturais negras e tradições populares da cidade. Fabiana Cozza chega ao encontro com três décadas de carreira e nove álbuns, em uma trajetória marcada pelo diálogo entre samba, poesia e ancestralidade.
A apresentação terá entrada gratuita, com sugestão de contribuição voluntária, 100 lugares e interpretação em Libras. O novo volume dos Cadernos, dedicado ao tema Memória, será disponibilizado gratuitamente em formato digital.
A proposta de transformar lembranças em experiências também aparece na oficina de perfumaria botânica, marcada para 28 de novembro, das 10h às 13h. Os participantes poderão explorar aromas naturais e desenvolver perfumes autorais, em uma atividade que aproxima criação artística e conhecimentos tradicionais sobre fragrâncias.
A oficina chama atenção por deslocar a perfumaria do universo comercial para uma experiência cultural. Em vez de apresentar uma fragrância pronta, a atividade coloca o público no processo de criação, explorando como diferentes aromas podem despertar associações com lugares e experiências pessoais. A inscrição custa R$ 10, com 25 vagas preenchidas por ordem de inscrição.
A tecnologia ocupa outro espaço da programação. No dia 26 de novembro, às 20h, o encontro Zonas Críticas: música humana, inteligência artificial, memórias e repetições discute as mudanças provocadas por ferramentas generativas na produção artística.
Participam da conversa o artista e curador Fernando Velázquez, a professora e artista Giselle Beiguelman e o músico Maurício Pereira, com mediação de Edson Natale. O debate inclui uma audição do álbum Zonas Críticas, desenvolvido por Velázquez com auxílio da plataforma Suno.
A discussão vai além da possibilidade de produzir músicas por comandos de texto. Autoria, repetição e participação humana no processo criativo estão entre os temas que ganham relevância à medida que ferramentas de inteligência artificial passam a integrar o trabalho de artistas e produtores musicais. O encontro será gratuito, com contribuição voluntária sugerida e capacidade para 100 pessoas.
A agenda começa em 6 de novembro, às 15h, com uma conversa online sobre arte, educação e ocupação de espaços urbanos. O convidado é Marcelo Chardosim, responsável pelo Museu Baldio, iniciativa itinerante que desenvolve intervenções culturais em áreas degradadas. A transmissão será gratuita pelo canal da Casa Museu Ema Klabin no YouTube.
Em 14 de novembro, a programação se volta às relações entre arte, educação e memória. Das 11h às 13h, Lia Mara Rossi apresenta a palestra Arte e emoção: o que fica em nós?, com ingresso de R$ 10, 95 vagas e interpretação em Libras.

No mesmo dia, das 13h às 17h, a jornada Territórios de musear: a casa, a escola e o mundo reúne experiências de profissionais da educação infantil e discute o papel dos espaços culturais na aprendizagem. A atividade é gratuita, com sugestão de contribuição voluntária e 95 vagas. Professores da rede municipal devem se inscrever pelo site da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo; os demais interessados, pelo Sympla.
O endereço também ajuda a explicar a diversidade da programação. A Casa Museu Ema Klabin ocupa a antiga residência da colecionadora, que viveu no imóvel entre 1961 e 1994. O espaço preserva ambientes originais e abriga obras de artistas como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Marc Chagall e Frans Post, além de um jardim projetado por Roberto Burle Marx.
A combinação de música, experimentação e debates contemporâneos amplia o uso da antiga residência para além da visitação ao acervo. O museu funciona também como ponto de encontro para discutir como diferentes gerações produzem, preservam e reinterpretam a cultura.
As atividades acontecem na Casa Museu Ema Klabin, localizada na Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo (SP). A programação completa, as inscrições e as orientações para retirada de ingressos estão disponíveis no site oficial da Casa Museu Ema Klabin. As vagas são limitadas e variam conforme a atividade.

